Brasília, 12 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que o Brasil está entrando numa fase que requer do governo ações mais práticas para promover transformações na vida cotidiana dos brasileiros.
Em discurso feito hoje no Palácio do Planalto, durante solenidade de sanção de leis que alteram a legislação trabalhista, Fernando Henrique fez um apelo aos homens públicos e representantes da sociedade organizada pelo "entendimento e o diálogo" e uma negociação ampla em torno de temas de interesse da população.
"Quero pedir aos presentes que transmitam àqueles que eles representam, que é necessário que abramos nosso espírito, no sentido de buscar, cada vez mais, o diálogo e o entendimento", disse o presidente para uma platéia formada por ministros do governo, parlamentares da base aliada e sindicalistas. "Não se busca consenso, não se busca anular divergências, não se busca anular o outro, mas se busca encontrar caminhos que permitam que essas divergências possam ser processadas e o País possa avançar".
Segundo o presidente, a rapidez com que ocorrem mudanças no mundo exigem das pessoas que possuem liderança agilidade para atender as demandas das populações. Depois de fazer vários elogios ao apoio que vem recebendo do Congresso, até mesmo em matérias polêmicas, Fernando Henrique disse que uma democracia não implica na ausência de conflitos.
Nos últimos dias, o presidente vem enfrentando críticas fortes de aliados, e principalmente do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). No discurso de hoje, o presidente afirmou que a democracia "é uma opção racional e civilizada para a solução dos conflitos". "Uma sociedade como a nossa, que se moderniza, que está cada vez mais avançada, não pode acreditar que exista assim, um Estado idílico, onde não existam oposições, contradições, conflitos de interesse de classe e mesmo dissenso", acrescentou presidente.
Para Fernando Henrique, entretanto, as divergências não podem ser resolvidas de forma impositiva. "O que ela (a sociedade) não pode é deixar que essas divergências de opinião obstaculizem as soluções necessárias para o País avançar", disse.
O presidente também pregou o desarmamento dos espíritos para os debates, de forma a permitir que algumas idéias inovadoras possam ser debatidas. Segundo o presidente, é preciso evitar o juízo de intenções. "O juízo de intenções cabe a Deus, que as conhece, aos psicanalistas, àqueles que tem o tempo e a pachorra de contarem seus problemas a terceiros", comentou. "Às vezes, a própria pessoa, nem ela própria tem muito clara a sua intenção."

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