Brasília, 28 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou hoje nota oficial lamentando a morte do arcebispo-emérito de Recife, d. Hélder Câmara. "Foi um homem abençoado, que dedicou sua vida ao ecumenismo, aos direitos humanos e à luta pela paz e pela solidariedade", diz a nota. "O Brasil sentirá sua falta."
Além de divulgar a nota, Fernando Henrique pediu que o vice-presidente Marco Maciel o representasse no enterro. O vice-presidente, pernambucano, viajou hoje para o Estado. "A ação pastoral de d. Hélder Câmara ultrapassou os limites da Arquidiocese de Olinda e Recife", disse Maciel, em nota.
"Sua voz se fez ouvir em praticamente todo o mundo", afirmou o vice-presidente, para quem as idéias de d. Hélder "contribuíram para a atualização da doutrina social da Igreja de que foi exemplo sua destacada participação no Concílio Ecumênico II, defendendo, na Igreja, a opção preferencial pelos pobres". Na opinião de Maciel, o "vigor intelectual" de d. Hélder fizeram-no, "além de amado, uma das vozes mais influentes deste século". Para o vice-presidente, a ausência de d. Hélder não o afastará. "Embora sintamos sua ausência física, sei, como católico, que a sua vida não foi tirada, mas transformada num corpo pleno de glória."
Para o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o País sentirá falta da "figura carismática" de d. Hélder. "Sua presença no clero representava para o Brasil a tentativa de derrubar as desigualdades sociais e desenvolver todo o País". Para o ministro-chefe da Casa Militar da Presidência da República, general Alberto Cardoso, d. Hélder "foi uma referência para a preocupação com as causas sociais".
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou uma nota ao arcebispo de Recife, d. José Cardoso Sobrinho. "Em nome da presidência da CNBB, e em meu próprio, desejo expressar ao sr. e à Arquidiocese o grande pesar da conferência pelo falecimento do estimado irmão no episcopado", diz a nota, assinada pelo secretário-geral da CNBB, d. Raymundo Damasceno Assis.
"D. Hélder deixa para todos o exemplo de um profundo amor à Igreja, que se traduziu na promoção da colegialidade episcopal, concretizada na fundação da CNBB e na idealização do Celam (Conselho Epsicopal Latino-Americano)", diz a nota, acrescentando que d. Hélder "testemunhou com sua vida e sua pregação um grande amor ao Brasil, expresso na promoção da dignidade e dos direitos da pessoa humana, especialmente dos mais pobres".
A CNBB diz, também, que "é preciso recordar e assumir" a "herança espiritual e humana" de d. Hélder, "sobre tudo seu grande anseio por um milênio sem fome". O secretário-geral da conferência saiu de Brasília hoje, no fim da manhã, para acompanhar o enterro em Recife.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também salientou a luta do arcebispo-emérito de Recife em favor dos mais pobres. "Com ele, parte um dos pilares de tudo o que se reclama no País em nome da grande massa de excluídos", disse o presidente da entidade, Reginaldo de Castro. "D. Hélder representou para todos uma das presenças mais marcantes deste século", afirmou o presidente da OAB.

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