FHC discute com Jereissati reunião de governadores
Brasília, 08 (AE) - Pressionado para anunciar a decisão sobre a revisão do acordo automotivo que favoreceu a instalação de uma fábrica da Ford na Bahia, o presidente Fernando Henrique Cardoso está buscando orientação e apoio para encontrar uma solução com o objetivo de evitar o que poderá se tornar a mais grave crise política deste início de mandato. Às vésperas de uma reunião com todos os governadores do Nordeste, em que serão discutidas políticas de desenvolvimento para a região, o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), desembarcou discretamente na capital federal na noite de ontem (07), atendendo à um chamado do próprio presidente.
Foi recebido no Palácio da Alvorada, e interlocutores próximos afirmam que um dos temas da conversa teria sido a costura do apoio dos outros governadores do Nordeste ao acordo fechado pela Bahia com a Ford.
Hoje, Jereissati voltou ao Alvorada pela manhã para um novo encontro com o presidente. O governador tucano deixou Brasília no meio da tarde e sabe-se que ele é partidário da tese de ampliar os instrumentos para o desenvolvimento econômico do Nordeste do País.
Uma das lideranças políticas mais influentes da região, Jereissati vem articulando uma frente unindo todos os governadores, para defender junto ao governo federal os interesses da região. O presidente tem até o dia 21 para dizer se veta parcial ou integralmente o acordo, contrariando o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), mais influente político da aliança governista e da política baiana, padrinho da instalação da Ford no Estado.
Apesar da mobilização, fontes ligadas ao Palácio do Planalto garantem que Fernando Henrique ainda não tomou uma decisão e resistem a apostar no veto integral. O presidente vem conduzindo o assunto reservadamente e mobilizou setores da área econômica do governo para propor uma solução que evite uma crise política - mantendo as bases do acordo - sem criar outra econômica, de âmbito internacional, já que a Argentina e a Organização Mundial de Comércio (OMC), demonstraram a insatisfação com os termos do acordo selado com a montadora.





