FHC devolve status de ministro a Alberto Cardoso
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso devolveu hoje o status de ministro ao general Alberto Cardoso, chefe da Casa Militar. A alteração, publicada na medida provisória (MP) que trata da organização da Presidência da República, reeditada hoje, com a criação do Ministério da Defesa
foi feita no auge da crise entre os Ministérios da Casa Militar e da Justiça, pela nomeação do novo diretor-geral da Polícia Federal (PF).
O ato de prestígio a Cardoso ocorre ainda quando general está em vias de ser acareado com um subordinado, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), por causa de possíveis divergências no depoimento sobre o grampo nos telefones na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econônico e Social (BNDES), durante a privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás). Com o status de ministro, Alberto Cardoso passa a ter foro privilegiado e poderá escolher hora e local para prestar depoimento.
Alberto Cardoso havia vencido o primeiro round na briga com o ministro da Justiça, que defendia a nomeação do diretor-geral interino da PF, Wantuir Jacine. O presidente optou por escolher o delegado João Baptista Campelo, que está sendo acusado de ter participado de sessão de tortura na década de 70.
Embora o nome não seja uma indicação de Alberto Cardoso, o general tem assegurado a quem o consulta que as acusações de tortura não são verdadeiras.
O chefe da Casa Militar perdeu o status de ministro no início do ano, quando foi criado o Ministério da Defesa. Como os chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica perderiam também os status quando o Ministério da Defesa fosse efetivamente instalado - o que aconteceu ontem (10) -, houve um acerto de que o cargo de chefe da Casa Militar, ocupado normalmente por um general de duas ou três estrelas, não ficaria em situação hierarquicamente superior aos comandantes de Força, que teriam quatro estrelas.
Assessores do presidente justificam, no entanto, que, tradicionalmente, o chefe da Casa Militar é cargo de ministro, como o da Casa Civil. Com essa determinação, o general passa a ser o único ministro militar do governo. Os antigos ministros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica agora são comandantes de Força, subordinados a um ministro civil, Élcio álvares.


