Brasília, 14 (AE) - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, garantiu hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso concorda com o teto salarial de R$ 12,72 mil que está sendo discutido para o funcionalismo. "Ele está de acordo e não me pediu sigilo", garantiu Velloso, acrescentando ter tido de Fernando Henrique autorização para comunicar a posição aos demais ministros do tribunal. "Ele disse que eu poderia contar para os meus colegas", disse Velloso. Horas depois, Fernando Henrique desmentiu o presidente do Supremo e disse, por intermédio do porta-voz Georges Lamazire, que Velloso "não falou recentemente com ele sobre este assunto", frisando que os contatos técnicos entre os três poderes continuam.
O presidente avisou que o valor a ser fixado será de "um teto e não de um piso e, se vier a ser adotado o piso de R$ 12,7 mil, o presidente adotaria um outro teto para os servidores do Executivo".
A conversa retratada pelo presidente do STF, que disse ter estado com Fernando Henrique, contradiz com o que vinha sendo afirmado por colaboradores próximos ao tucano.
Segundo eles, o presidente não concorda com o teto de R$ 12,72 mil e defende a fixação em em R$ 10,8 mil. Velloso foi mais enfático, dizendo que o presidente "está sensível" à questão. Ele alegou que não poderia ser de outra forma, pois este salário vem sendo pago hoje aos três ministros do Supremo que também integram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Velloso espera uma decisão sobre a questão até o dia 28, quando será aberto o Congresso Brasileiro de Magistrados, em Gramado (RS). Não havendo qualquer decisão até lá, os juízes prometem entrar em greve, sob a alegação de que não têm aumento há cinco anos. Dados do governo indicam que, na hipótese do teto de R$ 12,72 mil for adotado, haverá um acréscimo de R$ 224 milhões/ano na folha de pagamento dos três poderes.

mockup