O governo não vai privatizar as universidades públicas. A garantia foi dada ontem, em Brasília, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, durante solenidade de comemoração do dia do professor, no Palácio do Planalto. ‘‘Ninguém vai privatizar universidade nenhuma’’, assegurou o presidente, ao afirmar que as tentativas de acabar com o ensino superior público ‘‘é uma luta política, sem qualificação, para desqualificar os esforços feitos’’. ‘‘Ninguém vai fazer isso e nunca ninguém pensou nisso’’, afirmou ele, dizendo ser preciso acabar com esses ‘‘fantasmas’’, sobretudo nas universidades.
O presidente defendeu a necessidade de se ampliar o acesso às universidades. ‘‘Não podemos deixar que a universidade pública se transforme num bastião de poucos, para que esses poucos, então, se apropriem dos bens públicos e eles próprios se ilustrem, mas às expensas da capacidade de outros de ingressar nas escolas’’, disse. Na opinião do presidente, ao lado da universidade pública, tem de continuar a existir a privada, mas o acesso à escola gratuita precisa ser democratizado. ‘‘Temos que aumentar o acesso à escola pública, porque a escola privada, sozinha, não vai atender a todos’’, declarou ele. ‘‘Não pode e nem deve’’, completou, acentuando que as duas têm que se complementar.
Fernando Henrique iniciou seu discurso lembrando que houve um grande esforço, neste governo, contra a ‘‘mediocrização’’ e que foram dados estímulos para que os profissionais se aperfeiçoassem mais. ‘‘Ou se dá qualificação ou não vai ter emprego’’, comentou ele, alegando que todo mundo sabe disso e ‘‘não adianta simplesmente ficar fazendo discurso’’.
Em seguida, o presidente elogiou o trabalho do Ministério da Educação, de elaboração dos parâmetros curriculares que, na sua opinião, teve um papel extraordinário na melhoria da qualidade de ensino no Brasil. Para o presidente, é preciso alterar esse conteúdo dos currículos.
Fernando Henrique, que ontem recebeu simbolicamente os parâmetros curriculares da educação de 5ª a 8ª série, sinalizou que após melhorar as condições do ensino básico, o governo vai trabalhar na melhoria dos currículos das escolas de ensino secundário, profissionalizante e de nível superior. ‘‘O progresso já é muito grande e é por aí que nós vamos ter de caminhar’’, ressaltou. Outra preocupação, informou, é com a tentativa de se encontrar fórmulas para manter as crianças nas escolas.‘‘Hoje temos 96% das crianças nas escolas’’, comentou o presidente, acentuando que não adianta apenas matricular os alunos, mas é preciso que eles permaneçam na escola.

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