Rio, 08 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou hoje a privatização imediata da Petrobrás, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, mas admitiu que o governo poderá procurar parcerias privadas para essas empresas e até vender "partes" da estatal de petróleo, se for conveniente. Ele falou na Escola Superior de Guerra (ESG), onde deu a aula inaugural da turma de 1999.
Segundo o presidente, "em nenhum momento se falou" em passar aquelas instituições ao controle privado, mas em "racionalizá-las". Fernando Henrique disse, porém, que no futuro, "depois de feitos os estudos, depois de o País assimilar e achar que é bom, sim", as estatais poderão ser vendidas, mas não em seu governo.
Ao referir-se à venda futura de "partes" da Petrobrás, o presidente pode estar se referindo ao parque de refino da estatal ou a uma de suas cinco subsidiárias: BR-Distribuidora, uma das três maiores distribuidoras de combustíveis do País; Gaspetro, que coordena, entre outros investimentos, o Gasoduto Brasil-Bolívia; Transpetro, administradora da rede de dutos e da frota de petroleiros; Braspetro, empresa internacional da Petrobrás, e Petroquisa.
"A Petrobrás teve um desempenho muito positivo na ampliação das suas atividades de produção", disse o presidente, após dar a aula inaugural. "Também ela vai se racionalizar." Fernando Henrique lembrou que o governo já tem autorização para vender, "se for necessário", a parte das ações da Petrobrás que exceder a manutenção do controle estatal. "Isso é antigo, isso não altera o estatuto da Petrobrás", afirmou. O presidente lembrou, porém, que a estatal do petróleo terá que rever sua estratégia, para se adaptar aos novos tempos.
Fernando Henrique lembrou que, quando o monopólio do petróleo foi flexibilizado, enviou carta ao Senado dizendo que a empresa não seria privatizada. "A Petrobrás é uma boa empresa, vai ser racionalizada, terá crescentes parcerias, partes delas poderão ser, por decisão dela, dispensadas, vendidas, ou não", afirmou o presidente. "Não transformemos um processo normal, numa economia madura como a do Brasil, num processo ideológico, que não cabe agora."
Fernando Henrique não respondeu, porém, quando lhe perguntaram se o novo presidente da empresa seria o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros. "Essa questão não está posta", disse. "Eu vou nomear agora o Conselho de Administração da Petrobrás, será no dia 16."
O presidente afirmou que os novos dirigentes da empresa terão competência técnica. "E friso, técnica", disse. A declaração do presidente confirma informações de mercado que dão como certos nomes como o do atual secretário de Planejamento e Avaliação do Ministério do Planejamento e do Orçamento, José Paulo Silveira, e do presidente do Grupo Itamarati, Antônio Maciel, para o comando da empresa, na diretoria ou no Conselho de Administração, que deverá ser presidido pelo ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho.
Todos os seis diretores da Petrobrás estão com o mandato de três anos vencido desde julho do ano passado. A expectativa é de que na assembléia-geral extraordinária do dia 16 todos sejam substituídos.
A presidência da empresa está interinamente ocupada pelo vice-presidente da Braspetro, José Coutinho Barbosa, depois da saída de Joel Rennó, na sexta-feira. José Paulo Silveira coordenou o Programa Brasil em Ação e foi chefe de gabinete nos quatro meses em que Eduardo Teixeira esteve na presidência da Petrobrás, durante o governo Collor. Antônio Maciel, também teve passagem pelo governo Collor, na equipe da então ministra Zélia Cardoso Melo.
FMI - Fernando Henrique fez questão de desvincular as mudanças no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal e em outros bancos estatais federais do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciado hoje. Ele lembrou que já em setembro do ano passado, antes de ser reeleito e da crise que levou o País a recorrer ao FMI, afirmava que o Brasil precisaria fazer um ajuste severo, inclusive com a geração de superávit primário.
"Isso tudo está sendo efetivado por decisão nossa, anteriormente ao acordo com o Fundo Monetário Internacional eu já havia anunciado essas metas, que são metas nossas.", afirmou.
Fernando Henrique disse que o Brasil precisa racionalizar os seus "fundos de capitalização" oficiais, representados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco da Amazônia, Banco do Nordeste, a CEF e o Banco do Brasil. "Em nenhum momento, mencionei privatização", afirmou.
O presidente admitiu, contudo, que os bancos oficiais poderão ser abertos ao capital privado, mas dentro de um processo que considera natural, de crescente entrosamento da sociedade com o Estado.

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