FHC descarta medidas econômicas no carnaval
Brasília, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso negou hoje que o governo esteja planejando adotar medidas econômicas durante o carnaval. Durante solenidade no Palácio do Planalto, na qual sancionou a lei que dispõe sobre o nome genérico dos remédios, o presidente fez um pronunciamento de improviso e disse que "o carnaval é uma época fértil para mentir ao povo, mas também é uma época necessária para que se diga a verdade, que não vai acontecer nada de diferente no Carnaval, a não ser o que sempre acontece em nossos carnavais: os que podem se dar ao luxo de bailar, bailam; outros, que não podemos, não bailamos; mas, de qualquer maneira, aproveitamos para explicar que não há razão para inquietar a população a respeito de qualquer medida que o governo eventualmente vá tomar
porque não vai tomar medida alguma que possa afetar quem quer que seja na direção que os especuladores desejam".
FHC afirmou que nada justifica que a valorização do dólar venha a "contaminar toda a cadeia" da economia. Para o presidente, os abusos nos aumentos de preços constituem "falta de responsabilidade social" do agente econômico que os promove. Ele afirmou que "é preciso haver base moral de apoio à sociedade, porque esses aumentos de preços são imorais". Ele disse que "numa sociedade desigual, só com mobilização dos consumidores é possível enfrentar esses abusos".
Sobre a possibilidade de o governo vir a adotar algum tipo de controle de preços, o presidente assegurou que não pensa em dar "passos atrás", porque não adianta controlar preços, isso gera mercado negro e desabastescimento. "Não é por aí, mas o governo não vai ficar de braços cruzados", assegurou.
Fernando Henrique afirmou também que "não há relação entre o aumento do preço de um insumo e o aumento do produto global, porque só uma parte é que entra nesse produto, e há produtos que não tem nada a ver com importações, sem insumos importados, e que estão aumentando, que não são afetados diretamente pela mudança de preço com o preço da moeda". Segundo o presidente, "isso é simples de ser entendido". E explicou: "Num país como o Brasil, de economia livre, onde não há indexação de preços, não há razão para que um preço aumente, senão os preços relacionados diretamente, em termos de insumos, a esse preço, mas não se pode imaginar que esse aumento afete a cadeia". No entender de Fernando Henrique, "o câmbio não pode afetar a cadeia produtiva, porque isso não é verdadeiro, aí é abuso".
Ao argumentar que não há razão para aumento generalizado dos preços por causa da desvalorização do real, FHC afirmou que "é razoável imaginar que os preços afetados pelo aumento do câmbio tenham também uma alta, mas não é razoável haver a cadeia de alterações, não é razoável que se propague inflacionariamente o aumento, e isso a sociedade tem que entender, para que possamos juntos combater os abusos".





