FHC descarta limitação à Ford em MP do setor automotivo
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por César Felício 
Brasília, 28 (AE)- O presidente Fernando Henrique Cardoso comunicou hoje ao líder da Força Sindical, deputado Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP), que não irá colocar no texto da medida provisória que regulamenta o setor automotivo nenhuma limitação ao direito da Ford-que pretende instalar uma unidade na Bahia- de fazer demissões de empregados em São Paulo.
"Eu ponderei que era necessário uma garantia legal para que o investimento da Ford no nordeste não se tornasse um artíficio para fechar vagas em São Paulo, mas o presidente respondeu que não dava para colocar nada na medida provisória, porque seria uma discriminação em relação a outras montadoras", afirmou o parlamentar.
Durante a conversa, por telefone, Medeiros disse que insistiu para Fernando Henrique envolver-se pessoalmente na questão. "Eu afirmei que o fechamento de uma unidade da montadora em São Paulo está traumatizando a cidade e se transformando em um caso político", disse.
Tudo que o parlamentar conseguiu foi que o presidente determinasse que o ministro do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio, Clóvis Carvalho, recebesse amanhã pela manhã representantes da CUT e da Força Sindical como um sinal de apoio do governo para que a Ford não reduza o seu quadro de pessoal em São Paulo.
"Além disso, o presidente disse que ele mesmo irá se pronunciar sobre a questão, dizendo que a interpretação que está sendo dada ao investimento da Ford na Bahia é equivocada e que em nenhum momento se partiu da premissa que haveria retirada de investimentos em São Paulo", disse Medeiros.
Apesar da decisão do governo em não modificar a medida provisória, o tema deve causar debate no Congresso. O líder do PT na Câmara dos Deputados, José Genoíno Neto (SP), está preparando um projeto de conversão para a medida provisória que inclui uma cláusula para impedir demissões. O argumento é que, para viabilizar a instalação da Ford em Camaçari (BA), o governo federal está concedendo benefícios fiscais no valor de R$ 180 milhões.
A Força Sindical está tentando negociar com a Ford a estabilidade no emprego por um ano dos 1,5 mil trabalhadores da fábrica de caminhões no bairro do Ipiranga, em São Paulo, que deverá ter as suas atividades transferidas para a região do ABC, segundo informação da montadora aos sindicalistas. "A Ford já está garantindo seis meses sem demissões, mas queremos ampliar este prazo", disse o deputado, que descarta, entretanto, a intervenção do governo na negociação. " O governo não vai entrar no acordo", disse.


