Belo Horizonte, 13 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, em entrevista à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, que o dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola
deve ser preso se o inquérito da Polícia Federal que investiga denúncias de suborno de um funcionário do Banco Central concluir que não houve vazamento de informações privilegiadas. "Telefonei para o ministro Renan Calheiros e disse a ele: manda chamar pela Polícia Federal o banqueiro, ele tem que confirmar ou não o que está dizendo", afirmou o presidente. "Se confirmar, tem que dizer a quem ele deu o dinheiro; se não confirmar, é calúnia, ele tem que ser preso". Segundo o presidente, o que está em jogo não é apenas a idoneidade do BC, mas também a credibilidade da moeda e do País.
Fernando Henrique disse ter visto, pela imprensa, que Cacciola negou ter dado as informações que chegaram à revista, mas garantiu que isso não irá enfraquecer o empenho do governo em esclarecer o caso, que classificou como "uma leviandade". "Ontem eu vi que ele teria negado tudo", disse. "Bom, mas então é todo mundo irresponsável: quem publica coisas que não foram apuradas e quem diz coisas, parece que foi o caso, para serem publicadas e que não são verdadeiras, ou então os terceiros informantes", completou. Na entrevista, o presidente também defendeu a necessidade de se preservar a instituição Banco Central, responsável pela defesa da moeda brasileira. "Se começarmos a jogar pedra no Banco Central toda hora, por má compreensão, por boatos ou por rumores, estamos desmoralizando a propria moeda, o próprio País", afirmou.
CPI - Fernando Henrique disse que com a abertura de investigações sobre o caso dos bancos Marka e FonteCindam, o governo federal se antecipou à CPI do Sistema Financeiro. "Não esperei a CPI dos bancos, mandei apurar", ressaltou. O presidente aproveitou para reiterar que a CPI sobre supostas irregularidades envolvendo instituições financeiras e o próprio comportamento do BC não deverá "atrapalhar" o País. "O Brasil hoje é bastante mais maduro", disse. "Tenho convicção de que os dirigentes do Banco Central são pessoas honestas, os atuais e os passados, acho que isso é uma questão de esclarecer, de verificar, enfim, as explicações são necessárias para que ninguém tenha dúvidas, mas não acredito que seja para um caminho que possa por em risco o que quer que seja."

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