Urucu, AM, 04 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje a política econômica conduzida pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Nada, nada mesmo, vai segurar nosso crescimento e nosso desenvolvimento, mas eles serão feitos prestando sempre atenção nas condições de sustentabilidade", afirmou o presidente durante visita à província petrolífera de Urucu, no Amazonas, onde participou de solenidade de assinatura de termos de compromisso para a conclusão do projeto de gás natural da Amazônia.
Fernando Henrique afirmou que a política do governo terá como meta o desenvolvimento econômico, desde que não seja destruída a natureza e o "equilíbio macroeconômico". Ele frisou que o governo considera mais importante uma economia estável e que não tenha o preço da inflação "que destrói a economia popular". "Pelo contrário, vamos juntar todos os esforços, vamos manter a economia popular e a rigidez necessária do orçamento público", declarou.
O presidente estava acompanhado dos ministros Pedro Parente (Orçamento e Gestão), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia), Sarney Filho (Meio Ambiente) e Luiz Carlos Bresser Pereira (Ciência e Tecnilogia), além da primeira-dama, Ruth Cardoso.
REFORMA DO JUDICIARIO - Além de defender a política econômica que ainda gera atritos entre setores do seu governo, Fernando Henrique Cardoso também apoiou a proposta de reformulação da Justiça do Trabalho, exposta na proposta de reforma do Judiciário apresentada pelo deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). O presidente disse que a estrutura atual da Justiça trabalhista será alterada, mas ainda não está definido se ela será incorporada à Justiça comum. O presidente afirmou que a Justiça do Trabalho deve ser mais rápida e econômica. "Certamente como ela é hoje não vai continuar", frisou.
O presidente disse que não conhece o texto completo do projeto do deputado governista, mas defendeu o resultado. "Ele fez um trabalho meritório que não chegou até mim ainda, mas vou lê-lo com atenção e ver qual é o encaminhamento da questão", afirmou. "Vamos encaminhar para ver quais são os interesses a serem preservados e quais podem ser modificados com rapidez", adiantou, reiterando que a decisão final será do Congresso.
OPOSICAO - Fernando Henrique também disse não se importar com a mobilização da oposição contra seu governo. "A oposição pode fazer o que ela quiser. Eu estou determinado a fazer o Brasil crescer e avançar e que o povo tenha vida melhor", disse. Mais uma vez, o presidente criticou os partidos de esquerda alegando que eles têm uma postura destrutiva. "No resto cada um tem lá seus objetivos, que não são os meus", disse. "Os meus são de ajuda ao Brasil".
Bem-humorado, o presidente também lembrou suas raízes, brincando com o governador do Amazonas, Amazonino Mendes, que havia reclamado antes que o palanque de discursos estava sob o sol. "Sob este sol que o governador Amazonino reclama, mas eu, que sou mais escuro que ele, nem me preocupo", disse Fernando Henrique.
Fernando Henrique mandou um recado para os ambientalistas: "Sempre teremos a preocupação com o meio ambiente", avisou. "Mostrando ao Brasil e ao mundo, para evitar qualquer cobiça sobre esta Amazônia que é nossa, que nós somos os que mais nos preocupamos com a Amazônia, não no sentido de deixá-la intocada, mas que, ao tocá-la , transformá-la em fonte de riqueza e energia", disse.

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