Santiago, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje uma participação mais efetiva do Chile no Mercosul durante o governo do presidente eleito, Ricardo Lagos, que toma posse amanhã. "Tomara que amanhã seja possível que o Chile faça parte do Mercosul, como membro de pleno direito, integrado ao mercado comum que pode ser uma alavanca de desenvolvimento para o nosso continente", disse o presidente, em rápida saudação depois de desembarcar no aeroporto de Santiago, capital do País.
Saudosista, Fernando fez referência ao tempo em que morou no Chile, durante os anos da ditadura militar brasileira e ressaltou as conquistas democráticas obtidas pelo país. "É com grande orgulho que retorno aqui para ver os avanços democráticos
o respeito à vontade popular e o fato de o Chile ser não somente uma nação democrática, mas também uma nação de progresso", acrescentou o presidente.
A defesa de Fernando Henrique encontra eco no Chile. Na semana passada, quando participou das solenidades de posse do presidente uruguaio, Jorge Batlle, Lagos manifestou interesse em uma maior participação do Chile no Mercosul. O Chile, ao lado da Bolívia, é considerado hoje um membro associado do mercado. Os dois países têm acordos comerciais com os quatro países do Mercosul - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - mas não participam da união aduaneira (que garante a esses quatro países uma tarifa externa comum (TEC) para a entrada de produtos estrangeiros no país).
O maior obstáculo para a adesão plena do Chile ao Mercosul é o fato de as tarifas comerciais chilenas serem mais baixas que as aplicada na TEC. No Uruguai, Lagos teve um encontro reservado com Fernando Henrique em que defendeu a aprofundação e a institucionalização do Mercosul.
"Esperamos chegar a ser membros plenos do Mercosul em meu governo, mas para isso é preciso primeiro fazer a tarefa de coordenação macroeconômica", disse o presidente chileno. ESQUERDA - A posse do socialista Ricardo Lagos na presidência do Chile reuniu representantes do governo e da oposição brasileira. Em sua comitiva, Fernando Henrique trouxe os senadores Arthur da Távola (PSDB-RJ) e Roberto Freire (PPS-PE), além do sociólogo Hélio Jaguaribe.
A convite de Lagos, chegaram a Santiago, em vôo comercial, três petistas: o presidente nacional do partido, deputado José Dirceu (SP), o secretário-geral do PT, Marco Aurélio Garcia e o ex-governador do DF, Cristovam Buarque. Para os pestistas, a diferença fundamental entre o futuro governo de Lagos e o de Fernando Henrique é a opção de aliança política feita por cada um. "Aqui, no Chile, a aliança é de centro-esquerda, enquando no Brasil é de centro direita", comparou José Dirceu. Cristóvam Buarque disse que tem "boas expectativas" em relação ao governo de Lagos. "Ele defende direitos iguais para todos e afirmou que o melhor caminho para isso é a educação", comentou.
A programação de hoje do presidente inclui um encontro bilateral na embaixada brasileira, onde está hospedado, com a primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark. À noite o presidente participará de cumprimentos e do jantar de despedida do atual presidente, Eduardo Frei, no Palácio de La Moneda. Também estão no Chile os ministros da Cultura, Francisco Weffort e da Saúde, José Serra, além do chanceler Luiz Felipe Lampreia.
A transmissão de cargo acontecerá amanhã, a partir das 11h30, na sede do Congresso Nacional chileno, em Valparaizo. Em seguida, os chefes de Estado e de Governo participam de almoço oferecido por Lago em Vinã del Mar. No final da tarde, Fernando Henrique recebe na embaixada brasileira o presidente do Equador, Gustavo Novoa e o primeiro-ministro polonês, Jerzy Buzek. Fernando Henrique só retorna a Brasília no início da tarde de domingo.
O novo presidente chileno assume o governo enfrentando um grave contencioso político. A volta do ditador chileno, Augusto Pinochet ao país e a pressão popular para que seja julgado pelos crimes cometidos contra dos direitos humanos durante seu governo. Pinochet não deverá participar da solenidade de posse. Ele está instalado em uma fazenda sua, localizada no distrito de Bucalemu, um balneário há uma hora e meia de Santiago. Lagos assume o governo com a promessa de garantir uma maior participação da sociedade chilena nas decisões administrativas.

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