Havana, 14 (AE) - Durante as discussões da 9ª Conferência Ibero-Americana, o presidente Fernando Henrique Cardoso irá defender a criação de mecanismos globais de regulação do movimento do capital financeiro especulativo no sistema financeiro internacional. Para Fernando Henrique, além de um fundo financeiro de contingência - capaz de liberar recursos com maior rapidez para países alvos de crise - é preciso dotar o sistema financeiro de mecanismos que garantam maior previsibilidade e informações sobre esse movimento de capitais.
"É preciso encorajar esta discussão e reconhecer que diante da velocidade das crises financeiras, não podemos ficar olhando e dizer que o mercado resolve", afirmou o presidente, em entrevistada na capital cubana. "É preciso mecanismos de certa regulamentação para evitar catástrofes." Segundo Fernando Henrique, o volume alto de recursos do fluxo de capitais mostra que as crises podem afetar não só países pobres ou em desenvolvimento, mas também os desenvolvidos.
"Queiram ou não, essa comunicação instantânea e o vulto das transações colocam todos no mesmo barco", avisou. O presidente voltou a afirmar que este tipo de mecanismos não podem ser adotados isoladamente por um país, que correria o risco de se isolar. "O que precisamos não é de isolamento, mas de previsão e de contra ataque rápido", afirmou.
As declarações deverão ser repetidas por Fernando Henrique durante sua intervenção na reunião da ibero-americana da próxima terça-feira (16), que escolheu como tema a situação financeira internacional numa economia globalizada. Na última cúpula ibero-americana, realizada em Portugal, o presidente lançou como proposta a criação da taxa Tobin (uma taxa a ser cobrada com o objetivo de inibir movimentos especulativos de capital em curto prazo).
Hoje, na entrevista, o presidente recuou da idéia e defendeu
não a taxação, mas maior transparência e rapidez nas informações sobre o fluxo de capitais. Ele disse que, hoje, o fluxo de capitais internacionais chega a US$ 1 trilhão diariamente e que são negociados em grande velocidade. Além disso, destacou o presidente, também os meios de comunicação divulgam de forma muito veloz."Em tempo real se sabe tudo e os efeitos podem ser devastadores se as decisões forem mal tomadas", argumentou.
O presidente afirmou que desde as últimas crises foram feitas algumas modificações no sistema financeiro internacional e que o Brasil é um exemplo delas. Ele citou que em outubro do ano passado, em razão da crise da Rússia, o Brasil perdeu em um mês US$ 20 bilhões, e que a ajuda financeira de US$ 41 bilhões, recebida de Fundo Monetário Internacional e outros organismos financeiros, ajudou o Brasil a frear a sua crise. "E só usamos parte do dinheiro", acrescentou.

mockup