FHC defende criação do Proer
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Isabel Braga 
Colônia, Alemanha, 15 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje, em Colônia, na Alemanha, a criação e execução do Programa de Apoio ao Fortalecimento e Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional (Proer), durante o primeiro mandato, e apelou para que as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro não coloquem o programa sob suspeita. "O que eu acho é que não convém tornar um assunto desta magnitude uma coisa suspeita", afirmou o presidente, em entrevista a jornalistas brasileiros.
"Não há suspeita nenhuma", acrescentou, frisando entretanto, que "é até bom dar" mais esclarecimentos sobre o programa, se a CPI o exigir.
O presidente destacou que o Proer se tornou um modelo mundial de programa de socorro a instituições financeiras. "O Proer hoje é gabado no mundo todo e não vejo nada de errado nele
ao contrário; hoje, está-se pedindo que os outros países façam o que o Brasil fez", afirmou.
Fernando Henrique voltou a defender o programa, durante palestra para empresários alemães e o qualificou como um dos "principais ativos" que o Brasil teve para superar a crise financeira que abalou a economia a partir de janeiro. "No começo, foi muito difícil explicar o Proer para a população, que era preciso pôr dinheiro em bancos", lembrou. "Nós não ajudamos os banqueiros, mas salvamos a saúde do sistema financeiro", afirmou Fernando Henrique.
Ele voltou a pedir que a CPI do Sistema Financeiro investigue o caso do Banco Marka. "Esse é um outro assunto", comentou o presidente. "Se a CPI quiser saber mais sobre isso, eu acho bom", emendou. Para Fernando Henrique, é preciso saber "se foi certo ou errado" o entendimento que levou ao Banco Central (BC) realizar operação de socorro financeiro àquele banco. "Eu mesmo não sei." O presidente evitou fazer qualquer tipo de comentário sobre a transferência de dólares para o exterior pelo banqueiro Salvatore Cacciola. "Se foi em condições de ilegalidade, o dinheiro tem de ser recuperado, mas, se foi de forma legal, não há nada a fazer."
O presidente reafirmou que cabe à CPI investigar "tudo" e reiterou ter pedido ao BC que também investigue todas as denúncias envolvendo a instituição. "Quero tudo de forma clara e explicado."
Fernando Henrique também repetiu não saber quem tomou a decisão de socorro financeiro ao banco, nem se esta pessoa tinha conhecimento de ser uma operação "impeditiva". "Eu não quero avançar em matéria que desconheço", desconversou o presidente.


