Bonn, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje o asilo político oferecido pelo governo brasileiro ao ex-presidente do Paraguai, Raul Cubas Grau, e rechaçou qualquer tipo de comparação entre Cubas Grau e o julgamento a que deverá ser submetido o general Augusto Pinochet. "O presidente Cubas não é acusado de nenhuma genocídio, tortura, nada que se compare", afirmou o presidente, ao responder pergunta de uma jornalista alemã sobre a posição que o Brasil adotaria em relação a Cubas Grau e ao ex-ditador paraguaio, Alfredo Stroessner, que tem asilo político no Brasil, depois que a Inglaterra autorizou o julgamento de Pinochet pelos crimes cometidos durante seu governo ditatorial no Chile.
Fernando Henrique fez questão de explicar ainda que não há qualquer pedido de extradição contra Stroessner ou Cubas Grau. "Devo dizer que o presidente Cubas não está submetido a nenhum processo legal em seu país: ele simplesmente renunciou à Presidência da República para evitar uma guerra civil", defendeu Fernando Henrique. O presidente lembrou que ele mesmo recomendou que Cubas Grau renunciasse para evitar uma guerra civil no Paraguai. "Acho que ele agiu construtivamente ao tomar a decisão que tomou de apresentar sua renuncia e evitar um impasse no Paraguai."
O presidente lembrou que Cubas grau é um senador paraguaio, mas "se sentiu mais confortável indo ao Brasil". Em relação a Stroessner, Fernando Henrique informou que cabe ao Supremo Tribunal Federal julgar se o Brasil poderá ou não extraditá-lo, mas que não há qualquer pedido neste sentido. "No Brasil, a lei protege o asilo político e esse asilo foi dado a 12 anos", disse, acrescentando: "Estamos extrapolando o caso Pinochet para situações que são diferentes."
Hoje, Fernando Henrique voltou a reiterar seu apoio à proposta de paz da Alemanha para a solução dos conflitos na região do Kosovo da Iugoslávia. Aos jornalistas alemães, o presidente teve de explicar a posição brasileira contrária aos ataques da Otan na região. "Defendemos ações de caráter humanitário para evitar a repetição de fatos negativos, especialmente na Europa, de massacre e perseguições em massa por razões culturais ou raciais", disse. "A dúvida que tenho é: até que ponto as reações automáticas da Otan não deveriam passar por instância de legitimação das Nações Unidas?"
O presidente disse que este é o motivo pelo qual o governo brasileiro concorda e apóia a proposta da Alemanha de uma força de paz formada em entendimentos com a Rússia, aliada dos sérvios neste conflito. "O Brasil se dispõe a cooperar nos esforços de negociação junto à Iugoslávia e à Rússia e também aos Estados Unidos para buscar a paz."

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