Lima, 21 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje, em Lima, a aprovação no Congresso da proposta de autoria dele que taxa as grandes fortunas, como alternativa à idéia do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criar um imposto contra a pobreza.
Durante visita oficial ao Peru, ele alegou tratar-se da mesma coisa, tanto que, em outros países, o imposto sobre a riqueza é chamado de imposto de solidariedade.
"Da minha parte, não há problema", afirmou. "É só votar", acrescentou, ao deixar a sede do Congresso peruano, onde foi homenageado com uma sessão solene. No segundo dia de visita, Fernando Henrique e o presidente peruano, Alberto Fujimori, assinaram oito tratados de cooperação na área de repressão ao narcotráfico, agricultura, ciências e direito penal.
Para o presidente, a decisão final sobre o imposto sobre grandes fortunas caberá à maioria dos parlamentares no Congresso. Se eles apoiarem a emenda apresentada por ele há mais de dez anos ou o imposto de ACM, basta formalizar a medida, aprovando o que achar melhor. "O governo depende de sua maioria", frisou. "Se estiver de acordo, é só votar." O presidente lembrou que o Congresso pode ainda decidir adotar outro mecanismo, voltado para a renda, a fim de melhorar a vida dos pobres.
O presidente falou hoje, pela a primeira vez, sobre os efeitos da reforma ministerial que concluiu na sexta-feira (16) - e pela qual se julga o único responsável. Segundo ele, as mudanças foram feitas no governo, dentro de critérios previstos no regime presidencialista, e não na aliança que o apóia no Congresso. "Mas é claro que o presidente sempre olha para sua base política, como eu fiz", comentou. "No sistema presidencialista, o presidente escolhe, convida as pessoas; não houve nenhuma mudança na base governista."
Na avaliação de Fernando Henrique, mais importante que o relacionamento com a base aliada é o que as medidas que estão no Congresso, aguardando aprovação, representam para o País. "Não são medidas de interesse meu, são de interesse da Nação", frisou. "De modo que acho que o Congresso vai apoiar e nós temos de convencer a sociedade e os parlamentares da importância dessas medidas." Para o presidente, a convicção vem da certeza de que o Brasil chegou a um ponto no qual as pessoas sabem que há um problema fiscal que pode comprometer as gerações futuras.
"Então, o tema consiste em explicar qual é o objetivo e o que fazer", argumentou, priorizando igualmente a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal e a reforma tributária. "Porque
senão, o que se fizer hoje será desfeito amanhã", esclareceu. O presidente disse que a falta dessa lei tem obrigado a ele e aos governadores a pagar contas de dezenas de anos atrás, que estão se acumulando pela falta de responsabilidade fiscal.

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