Brasília, 29 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu ir pela primeira vez a Minas Gerais depois que tomou posse no segundo mandato. A declaração de moratória da dívida feita pelo governador Itamar Franco (PMDB), logo nos primeiros dias de janeiro, pôs Fernando Henrique em confronto direto com o peemedebista. Desde então, o presidente evitou o quanto pode ir a Minas Gerais - pediu que o vice-presidente Marco Maciel o representasse na inauguração da fábrica da Mercedes-Benz, em Juiz de Fora.
Mas, no dia 26, essa fase do conflito aberto poderá ser encerrada. Nesse dia, Fernando Henrique irá a Ipatinga, onde será inaugurada uma nova fábrica da Usiminas. A nova fábrica resulta de investimento de US$ 1,5 bilhão, feito integralmente pelos grupos privados que compraram a empresa estatal siderúrgica.
O Palácio do Planalto ainda não sabe se Itamar estará presente. O presidente deseja que sim, de acordo com um empresário que esteve com ele recentemente. De qualquer maneira, o cerimonial da Presidência da República tomará as providências para comunicar a Itamar a ida de Fernando Henrique a Minas Gerais e saber se o governador estará presente na solenidade. O protocolo exige esse tipo de definição prévia.
O maior acionista da Usiminas é a Camargo Correa, de quem até recentemente o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, era o principal executivo. O empreendimento da Usiminas está sendo apontado pelo governo como mais uma prova do sucesso do programa de privatização. Além de Tápias, é provável que outros integrantes do primeiro escalão do governo também participem da solenidade.
Alguns interlocutores do presidente informam que Fernando Henrique considera que o rompimento político com o governo mineiro tomou tempo demasiado e que qualquer estabilidade política no País pressupõe um entendimento do governo federal com Minas Gerais. O governo vem recebendo indicações, embora tênues, de que Itamar também pode trilhar o caminho da reaproximação.
Mas não são apenas considerações sobre a governabilidade presente do País que estariam, segundo os mesmos interlocutores, nas preocupações do presidente. Fernando Henrique acredita que a sucessão passa necessariamente por Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral brasileiro. Estaria na hora, de acordo com essas versões, de o presidente retormar um contato mais direto com o eleitor mineiro. Fernando Henrique estaria convencido de que os atuais índices de impopularidade serão revertidos em futuro próximo e que, com a retomada do desenvolvimento econômico, criará condições políticas que o levarão a fazer o sucessor.

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