Brasília, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu acompanhar mais de perto o comando da política econômica. Fernando Henrique assumiu esse espaço depois de verificar que faltava uma liderança na condução da política econômica interna, uma vez que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, tem dedicado-se mais às negociações externas, onde é considerado imprescindível pelo presidente.
O presidente resolveu dedicar mais atenção e tempo à área econômica, quando constatou que o setor estava muito solto, sem um comando único, o que possibilitava o surgimento de divergências públicas, pois cada setor agia por si. "Antes, estava um arquipélago", tem dito o presidente aos interlocutores. Essa falta de liderança na área econômica deixou o presidente preocupado quando, no auge da crise, ele teve de tomar decisões que, naturalmente, seriam tomadas por Malan.
Fernando Henrique tem conversado várias vezes por dia, isoladamente, com Malan, e com o secretário-executivo da Fazenda
Pedro Parente, que vai assumir o Ministério do Orçamento e Gestão, assim como com o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, que está se tornando um interlocutor muito próximo ao presidente. Mesmo nestes dias em que estão viajando, o presidente tem falado frequentemente com Malan e Armínio.
O crescimento do prestígio de Fraga no Planalto tem a ver com a personalidade pouco agressiva de Malan e a demora do ministro da Fazenda em tomar decisões importantes ou vetar discussões que levavam à desagregação na equipe. Embora seja considerado pelo presidente uma figura importante nas negociações internacionais, Fraga poderá tornar-se a alternativa do presidente, caso haja necessidade de substituir Malan no futuro.
Desde a crise da ásia, o presidente tem procurado participar de algumas das reuniões da Câmara de Política Econômica, que são comandadas pelo ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. Quando os problemas se agravaram e as disputas por espaço na área econômica cresceram, o presidente resolveu comandar as questões, para evitar que as divergências entre o ministro da Saúde, José Serra, e Malan ficassem ainda mais expostas.
Para o presidente, Carvalho continua sendo o homem de confiança do governo, responsável por nomeações e intermediação de diversos problemas, até mesmo dos que surgem na área econômica. Não haverá mudança na condução das Câmaras de Políticas Setoriais, que continuarão sob a batuta de Carvalho. Vilmar Faria será nomeado o novo chefe da Assessoria Especial da Presidência, no lugar do embaixador Gelson Fonseca, que assumirá uma embaixada. A hipótese de Faria assumir a Câmara de Políticas Sociais foi descartada principalment porque um assessor não comanda ministros.

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