Brasília, 18 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso dá posse coletiva ao novo ministério amanhã (19), ao meio-dia, em cerimônia no Palácio do Planalto. À tarde, estão programadas solenidades de transmissão de cargo nos diversos ministérios. Começarão, então, as decisões sobre a composição do segundo escalão dos ministérios, onde houve troca de titulares. Será necessário, também, definir para onde irão as atividades pertencentes às secretarias extintas na reforma.
O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que considerou "boa" a reforma anunciada na sexta-feira (16). "O presidente fez o que quis; então, ele tem a responsabilidade e vai ter os dividendos, com êxito, espero", comentou. Ele afirmou que a possibilidade de os ministros indicados pelo PFL deixarem os cargos "nunca existiu" e disse que gostou das indicações dos ministros Pedro Parente para o Ministério da Casa Civil e Aloysio Nunes Ferreira para a Secretaria-Geral da Presidência. Negou, porém, que os dois fizessem parte da cota dele. "Eles são meus amigos", desconversou. "Eu só me dou com gente boa." O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Clóvis Carvalho, escolheu para secretário-executivo o presidente do programa Comunidade Solidária, Milton Seligman. O ministro indicado para a Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, também definiu o secretário-executivo: será Márcio Fortes de Almeida, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB).
Com a reforma ministerial, foram extintas as Secretarias da Administração e Patrimônio, de Planejamento e Avaliação, de Desenvolvimento Urbano, Relações Institucionais e Políticas Regionais.
Não foram divulgadas, porém, informações sobre como ficaria o novo arranjo para as atividades sob a supervisão daquelas secretarias.
Será preciso definir, portanto, para onde vai toda a administração da folha de pessoal da União e dos bens imóveis, até agora a cargo da Secretaria de Administração e Patrimônio.
No primeiro mandato de Fernando Henrique, essas atividades sobre a folha tinham um ministério específico. Até a tarde de ontem (17), a titular da secretaria extinta, Cláudia Costin, não havia recebido nenhuma orientação.
Outra questão é a qual ministério ficarão subordinados os Institutos de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tradicionalmente, os dois ficam ligados à área de planejamento e Orçamento do governo. No entanto, no segundo mandato de Fernando Henrique, eles passaram a integrar uma secretaria específica, a de Planejamento e Avaliação, que, originalmente, era ligada à Presidência da República e, desde abril, foi integralmente transferida para o Ministério da Fazenda, junto com o titular, o ex-ministro do Trabalho Edward Amadeo.
Falta definir também quem assumirá a presidência do Banco do Brasil (BB), cargo que ficará vago com a ida do titular
Andrea Calabi, para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Calabi deixará ao sucessor a tarefa de evitar a quebra da instituição, que detém R$ 6 bilhões em precatórios emitidos pela Prefeitura de São Paulo - cujo refinanciamento pelo Tesouro Nacional ainda não saiu.

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