Belo Horizonte, 13 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso atribuiu à morosidade da Justiça brasileira, além de uma série de brechas na legislação de que dispõem as empresas, o alto índice de sonegação fiscal registrado no País. Em entrevista concedida pela manhã à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, o presidente criticou as formas pelas quais muitas empresas, sobretudo as grandes, conseguem livrar-se do pagamento de impostos, utilizando mecanismos legais e da própria Justiça para fazê-lo. "O fiscal vai lá e multa, em seguida a pessoa entra em um juiz qualquer e pede uma liminar", disse.
"O juiz dá a liminar e nunca julga o processo, e o fisco não recolhe o dinheiro", acrescentou. Para Fernando Henrique, mesmo que amparadas pela legislação, empresas de grande porte ficam sem pagar "bilhões de reais" à Receita Federal, o que prejudica o orçamento federal. "A sonegação não é falta de vontade do governo federal de cobrar, não, são os embaraços que às vezes a própria lei faz e o sistema moroso nosso (judiciário)", avaliou.
Embora ressaltando que não estava "acusando nenhum juiz", o presidente voltou a defender a reforma judiciária e atacou a demora das ações finais na área tributária. "Tem uma coisa que eu não concordo mesmo: dá a liminar e não julga, aí paralisa a cobrança", afirmou.

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