Brasília, 18 (AE) - Pressionado por diversas manifestações de movimentos sociais e no momento em que enfrenta seu menor índice de popularidade, o presidente Fernando Henrique Cardoso criticou hoje, em solenidade no Planalto, "o aproveitamento oportunista e impatriótico de algumas das grandes questões sociais". No dsicurso feito para uma platéia formada por militares e pelos 38 novos oficiais-generais promovidos em julho desse ano, Fernando Henrique atacou a continuidade das ocupações de terra pelo Movimento dos Sem-Terra (MST).
Desde a última segunda-feira, os meios de comunicações mostram imagens da Esplanada dos Ministérios lotada de caminhões e tratores de agricultores que querem renegociação de suas dívidas. No próximo dia 26, os cinco partidos de oposição e mais de 80 entidades da sociedade civil realizam a marcha de protesto contra o governo. Entre as entidades está o MST.
Hoje, três parlamentares de oposição: José Dirceu (PT/SP), Aldo Rebelo (P C do B/SP) e Vivaldo Barbosa (PDT/RJ) estiveram com o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso. Segundo o general, os deputados "foram muito gentis" e garantiram que será uma manifestação pacífica. "A ordem do presidente foi dar apoio aos aspectos de segurança das pessoas que virão à manifestação", disse o ministro.
De acordo com general, Fernando Henrique disse que não haveria problemas em realizar o ato na Praça dos Três Poderes, desde que respeitado o limite de 20 mil pessoas. "Mas eles me disseram que o ato será realizado em frente ao Congresso", contou Alberto Cardoso. "Não se teme que a manifestação saia do controle porque foi bem frisado pelos deputados que será pacífica."
Ao criticar indiretamente o MST, Fernando Henrique voltou a destacar a ação do governo na área de reforma agrária. "A despeito de já termos assentado, nos primeiros quatro anos de governo, cerca de 300 mil famílias, não cessam os movimentos, para dar a ilusão de que a ação pública não se faz presente", disse Fernando Henrique. "Para dar a impressão de que, sem invasões descabidas, até mesmo ocupando terras produtivas, não haveria reforma agrária", argumentou o presidente.
Além do assentamento de 300 mil famílias, o presidente reafirmou a desapropriação "feita dentro da lei" de mais de 7 milhões de hectares de terras. "A despeito desse esforço continuado, existem ainda os que teimam em confundir alhos com bugalhos", disse o presidente. "Adotando motivações que correspondem a causas justas, ultrapassam o limite da lei e transformam agendas sociais em verdadeiros atos de provocação política."
COLOMBIA - No discurso aos militares, o presidente Fernando Henrique reiterou que a defesa das fronteiras brasileiras "é inarredável". "Não pode ser esquecido que, mesmo em âmbito regional, surgem zonas de instabilidade que podem vir a contrariar interesses brasileiros", disse o presidente. O general Cardoso disse hoje que o governo vem acompanhando com "preocupação e atenção" os problemas enfrentados pela guerra civil e o narcotráfico na Colômbia.
"À tradicional missão de manutenção de integridade do território soma-se o desafio de preservar a sua incolumidade", disse o presidente em seu discurso. "O narcotráfico e outros ilícitos transfronteiriços, com ameaça ao nosso povo e à soberania, sempre ressaltando minha firme orientação para que as Forças Armadas não sejam empregadas no cotidiano desse combate, senão no apoio às polícias."

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