FHC critica mudança de índice da ONU sobre desenvolvimento
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Demétrio Weber e Isabel Braga 
Brasília, 12 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso, por meio de seu porta-voz, Georges Lamazire, criticou hoje a mudança de metodologia no cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) este ano pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que rebaixou o País da 62.ª para a 79.ª posição no ranking de 174 países avaliados. Segundo o porta-voz, a nova metodologia "falseia a comparação". Ele assinalou que houve melhoria nos indicadores de educação, saúde e renda que servem de base para o índice.
A nova fórmula tirou o Brasil do grupo de países com alto IDH, no qual ingressara no ano passado, e o reclassificou como de médio IDH. "Uma etiqueta de alto ou médio IDH não muda a realidade", reagiu o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Martins, que acompanhou o lançamento do relatório do Pnud. Segundo ele, o governo quer evitar que a divulgação do documento dê a "falsa impressão" de que as condições sociais brasileiras pioraram entre 95 (ano-base para o relatório de 98) e 97 (ano-base do relatório deste ano). "A nova metodologia não representa aperfeiçoamento", afirmou Martins.
Caso a antiga fórmula estivesse valendo, o Brasil teria subido da 62.ª para a 60.ª posição no ranking do IDH. O mesmo ocorreria se a nova fórmula já estivesse em vigor no relatório passado: sairia da 81.ª para a 79.ª colocação. O representante do Pnud no Brasil, Walter Franco, defendeu a mudança. "Estamos acostumados a receber questionamentos dos países que caem". Segundo o representante do Pnud, porém, os resultados deste ano não podem ser comparados com os de anos anteriores. "As condições de vida dos brasileiros têm melhorado, embora haja muito por fazer", afirmou Franco.
O IDH é calculado pelo Pnud com base em indicadores de renda per capita, longevidade, alfabetização e taxa de matrícula na educação básica e superior. Em todos eles, o Brasil avançou. A longevidade subiu de 66,6 para 66,8 anos, de 95 para 97. Nesse mesmo período, a taxa de analfabetismo caiu de 16,7% para 16% e a de matrícula passou de 72% para 80%. A renda per capita anual elevou-se de US$ 5.928,00 para US$ 6.480,00. Mas a nova metodologia de cálculo do IDH, concebida pelo economista e Prêmio Nobel Amartya Sem, alterou a fórmula do IDH de renda este ano.
Antes, qualquer aumento de renda per capita, até o valor da média mundial (US$ 5.990,00, em 95), fazia subir, na mesma proporção, o IDH dos países. Com a mudança, no entanto, o cálculo ignora a média mundial e considera que, até US$ 1.100,00, todo o acréscimo de renda produz forte impacto na qualidade de vida das pessoas e, portanto, deve refletir-se do mesmo modo no IDH de renda. Já aumentos em países com renda de até US$ 4.200,00 também melhoram o indicador, mas em menor escala. Renda per capita - O problema ocorre em países como o Brasil, em que a renda per capita de US$ 6.480,00 estava próxima da média mundial (US$ 6.332,00). Pelos critérios antigos, a variação da renda brasileira deveria produzir um aumento quase proporcional no indicador. De acordo com o presidente do Ipea, 19 países de alto IDH foram rebaixados para a faixa de IDH médio, por causa da inovação, e dez países de baixo IDH subiram para a categoria de médio IDH.
Os países recebem nota de zero a 1. O nível médio começa a partir de 0,500 e o alto, de 0,800. Martins lamentou que a escala não tenha sido alterada. Segundo ele, o alto IDH deveria ser concedido para países que atingiram pontuação de 0,731. O Brasil ficou com 0,739.


