O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem, em Brasília, as invasões de terra coordenadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) em todo País. Por intermédio do porta-voz, Sérgio Amaral, Fernando Henrique afirmou que ‘‘certamente as invasões tem motivação de caráter político’’. O presidente lembrou que a competência para coibir e retirar invasões de terra é das polícias estaduais, mas enfatizou que o governo federal está disposto a dar o apoio que for necessário às ações neste sentido.
O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, responsável pela área de informações do governo, também classificou como políticas as invasões feitas pela Contag. ‘‘Se incrementam as invasões, elas têm outro caráter sem ser o da necessidade de terras para trabalhar’’, afirmou o general. Para Cardoso, o grande objetivo destas ocupações é ‘‘pressionar’’ o governo Federal, o que considera um absurdo. ‘‘Não cabe pressão, porque este foi o governo que mais fez reforma agrária no País’’.
O governo já anunciou que pretende endurecer para com os que estão invadindo as terras neste momento. A decisão, tomada anteontem à noite pelos ministros da Justiça, Renan Calheiros, da Política Fundiária, Raul Jungmann e o general Cardoso, foi a de é iniciar as vistorias para a desapropriação somente um ano depois que as terras forem desocupadas. Esta foi uma regra adotada no ano passado, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), depois de uma onda de ocupações feitas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
A área de inteligência do governo está acompanhando atentamente toda a mobilização da Contag, que lidera no momento as invasões. Também há um monitoramento da ação do MST.
A Contag informou ontem que vai manter as 84 ocupações de áreas em todos os estados onde ouver demanda de trabalhadores rurais sem terra ‘‘pela garantia das mínimas condições de sobrevivência’’. Esta foi a decisão da diretoria da entidade, diante da opção do governo federal de fazer vigorar o decreto 2.250 - que impede vistoria para efeito de desapropriação em áreas ocupadas -, como forma de punição à iniciativa da Contag de coordenar ocupações em vários pontos do país nesta semana.

mockup