FHC critica aumento abusivo do material didático e escolar
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2000
Por Isabel Braga 
Parintins, AM, 04 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou hoje o aumento "abusivo" do material didático e escolar, ao discursar na solenidade simbólica de abertura do ano letivo, no pátio da Escola Estadual Brandão de Amorim, em Parintins (AM). O presidente disse que se aflige e se angustia com as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros para a compra do material escolar. "Há abusos do material escolar, eu tenho visto a variação de preços", disse, citando que há lojas cobrando até dez vezes mais por um mesmo produto e que isso obriga os pais de alunos a pesquisar preços.
"Vejo a angústia e a aflição dos pais de família, sobretudo nas grandes cidades, e ainda bem que nós temos os Procons (Coordenadorias de Proteção e Defesa do Consumidor), que mostram essa realidade", ponderou o presidente no discurso. "Sei que existem problemas, estamos começando a resolvê-los e, pelo menos no setor público, temos condições de dar (livros) de graça", acrescentou. O presidente também reconheceu que os professores da rede pública de ensino são mal-remunerados, mas que, mesmo assim, são capazes de repassar aos alunos o que é essencial ao ser humano: a dignidade.
Fernando Henrique afirmou ainda que deseja que a educação, e não apenas a garantia de estabilidade da moeda, seja o fato marcante do governo. Ele citou a visita que fez durante o primeiro ano do programa de distribuição de livros didáticos, a Santa Maria da Vitória ( BA), há cinco anos. Segundo Fernando Henrique, a escolha da cidade aconteceu porque foi naquele local - onde moradores exibiam notas de real como símbolo de dignidade - que sentiu, em 1994, que poderia ganhar as eleições presidenciais "Quis voltar para mostrar que mais importante que a moeda é o ensino", disse, no discurso de hoje. O presidente salientou que tem desenvolvido um "programa de transformação da educação no Brasil" e que o governo "tem de ser reconhecido porque deu educação ao povo e foi capaz de fazer com que a educação fosse prioridade".
Segundo o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, de 1996 até agora, a distribuição de livros didáticos beneficiou mais de 148 milhões de alunos. Nesses cinco anos, foram gastos R$ 1,3 bilhão no programa desenvolvido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e pelos Correios, responsável pela entrega dos livros.
Em 2000, serão investidos cerca de R$ 252 milhões na distribuição de livros didáticos. A maioria das 170 mil escolas públicas recebeu os 73 milhões de livros didáticos que serão usados por 33 milhões de estudantes de primeira a oitava séries. O governo também tem feito uma campanha alertando para a necessidade de conservação do livro pelo aluno, o que permitiu a redução do total de livros nesse ano. Em 1999, foram distribuídos 110 milhões de livros.


