FHC critica atos de desordem no País
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sexta-feira, 25 de julho de 1997
Agência Folha Corumbá 
Arquivo FolhaCautelosoFHC foi à cidade boliviana de Puerto Suarez, para assinar novos atos para a construção do gasoduto de 3.150 quilômetros que ligará a Bolívia ao Brasil. O presidente disse não ter notado as manifestações da CUT e do MST durante sua passagem por Corumbá mas, para evitar confrontos, preferiu desviar com sua comitiva, de manifestantes que o aguardavam no aeroportoAlvo de manifestações durante sua visita à cidade de Corumbá (MS), o presidente Fernando Henrique Cardoso condenou o que ele chamou de atos de desordem no País. A população brasileira não gosta de desordem, disse. Manifestação com tranquilidade é uma coisa, afirmou. Mas tem que se manifestar com algum objetivo. Quando o objetivo é o de fazer desordem, isso atrapalha. Atrapalha a democracia e não é bom para os objetivos políticos.
FHC disse não ter notado as manifestações da CUT e do MST durante sua passagem por Corumbá. Manifestação? Aqui não houve. Eu não vi nenhuma, afirmou. Suas críticas referiam-se a protestos em outros pontos do País. Mas houve manifestação durante a passagem de FHC por Corumbá. A Polícia Militar afirmou que havia cerca de mil manifestantes - os jornalistas presentes avaliaram em 500 pessoas. Por causa dos protestos, houve alteração no roteiro presidencial na cidade.
FHC chegou a Corumbá às 9h30 (10h30 em Brasília). Para evitar confrontos com os manifestantes, sua comitiva saiu por um portão lateral do aeroporto. Mais tarde, fez novo desvio ao visitar o Clube Corumbaense, centro da cidade.
De Corumbá, FHC foi à cidade boliviana de Puerto Suarez, para assinar novos atos para a construção do gasoduto de 3.150 quilômetros que ligará a Bolívia ao Brasil. De volta ao Brasil, se encontrou com o general Hugo Banzer, presidente eleito da Bolívia.
No aeroporto, antes de viajar para São Paulo, FHC se queixou dos protestos que estão ocorrendo no País. Acho que temos que fazer um apelo para a ordem, afirmou. Isso não quer dizer a inexistência de manifestações, disse. Tem que se manifestar. Mas em favor do quê? Só contra? Por que só contra? Assim não dá, afirmou. Nós estamos fazendo tanta coisa boa no Brasil. O País está crescendo. Tem uma vitalidade imensa. Cresce por todos os lados, disse.
O presidente culpou a oposição pela série de protestos que vêm ocorrendo no País. Esse pessoal que é teimoso, que é do contra, deveria guardar sua bílis e sua raiva dentro de casa, declarou FHC. Durante sua passagem por Corumbá e Puerto Suarez, FHC fez discursos técnicos. Falou sobre o gasoduto que ligará umbilicalmente a Bolívia ao Brasil. O gasoduto custará R$ 2 bilhões e deverá estar concluído no final de 1999.
O presidente também falou sobre o Projeto Pantanal, que terá R$ 400 milhões de investimento. Trata-se de obras de saneamento e infra-estrutura turística em toda a área do Pantanal. O Banco Interamericano de Desenvolvimento financia o projeto. Ao falar de visitas anteriores que ele fez ao Pantanal, FHC disse que perdeu o medo de ficar ao lado de jacarés. Perdoem a expressão, mas jacaré é quase humano. É até melhor que os humanos, pois é mais dócil, declarou.
FHC viajou a Corumbá e a Puerto Suarez acompanhado dos ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney. No avião, os três conversaram o tempo todo na cabine presidencial. Mas FHC negou que o assunto da conversa tenha sido sucessão presidencial. Eu, o presidente Itamar e o presidente Sarney estamos discutindo os problemas do País, disse. É muito cedo para se discutir essa questão eleitoral. O Itamar sabe disso, afirmou. Itamar e Sarney não quiseram falar.
FHC e Itamar já haviam conversado anteontem à noite, no Palácio da Alvorada. A ida de Itamar a Corumbá reforçou a versão de que há um acordo com FHC para o ex-presidente concorrer ao governo de Minas.
Itamar também se reuniu anteontem com o governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), em Brasília. A versão de que Itamar deve disputar o governo de Minas com o apoio de FHC ganha força desde o último encontro dos dois, há mais de um mês, nos Estados Unidos.


