FHC: crise significa sacolejão que não deve alterar rumo
Brasília, 23 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, no seu pronunciamento no seminário "O Futuro da Indústria no Século XXI", que o governo havia optado por conduzir as mudanças na economia no ano passado através de um "soft-landing", ou seja, as mudanças seriam graduais. Ele explicou, no entanto, que a crise da Rússia, que encolheu os recursos externos internacionais prejudicou esse procedimento e que o governo então tomou outro rumo. Ele disse também que esse outro rumo não teve uma influência ditada pelo comportamento eleitoral como chegou a se afirmar. "Isso foi um ledo engano. Houve convicção da necessidade de mudar. Em setembro, antes das eleições, eu avisei ao País que viriam tempos bicudos", disse FHC.
Ele disse ainda que essa demora em fazer a mudança no rumo da economia acabou tendo um preço alto, mas que esse preço não prejudicou as camadas mais pobres. "Ta nto que eu fui reeleito", diz. "O povo vê essa situação a favor do estômago ou contra ele", disse. Segundo FHC essas mudanças no contexto internacional devem ser vistas como um "sacolejo", porque o País não pode perder o rumo. Ele disse que as discussões são diversificadas,mas que o novo paradigma tecnológico afeta tudo e demanda crescente formação e absorção de conhecimento. "Mas que outro caminho seguir, a não ser a inserção na globalização? Vamos nos desconectar e ficar isolados? Isso seria insensato", disse, ressaltando porém que o Brasil não pode abrir sua economia sem estar capacitado, porque isso seria outra insensatez. Ele afirmou que "temos que fazer aqui o devemos fazer", mas alertou que precisa estar atento para as contingências decorrentes do sistema internacional.
FHC lembrou uma expressão alemã que diz: "Em um dia de céu azul, um raio pode partir a cabeça". O presidente reafirmou mais uma vez que a agenda de mudanças estruturais necessárias está colocada. Segundo ele, essas reformas dependem na maior parte de dispositivos constitucionais, o que dificulta o entendimento do estrangeiro. "Mas eu nem me queixo disso porque ajudei a fazer a coinstituição", disse. Ele afirmou ainda que a arquitetura política para fazer essas reformas não pode ser sectária porque a maioria dessas reformas exigem três quintos do Congresso, por isso precisa haver unm entendimento político.
Reforma tributária - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou há pouco que o governo não quer a reforma tributária para arrecadar mais. Ele disse que o problema tributário no País é que a incidência dos impostos está errada. "O governo não precisa mais. Não é essa a questão", afirmou o presidnte, durante discurso de abertura do seminário "O Futuro da Indústria" na Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ele disse que já conversou com os secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, sobre o seu ponto de vista de que o governo não vai fazer uma reforma para tirar um pouco mais da população. "A questão é de qualidade", afirmou. Ele disse também que não vai mudar a Lei Kandir sob o ponto de vista da desoneração das exportações.
Segundo ele, não há sentido exportar impostos. Para o presidente, no conjunto a Lei Kandir foi em uma boa direção e ajudou a produção. Ele também critico u a tributação sobre o consumo, a exportação de impostos de um estado para o outro e o fato de um único secretário de Fazenda poder vetar uma decisão no Conselho Nacional de Política Fazendária. O presidente criticou ainda a cobrança do IPI de forma diferenciada e os impostos em cascata. "Que ninguém queira tirar da reforma uma relação maior para si, mas sim para o País", disse o presidente. Ele defendeu idéias simples e se possível, que o imposto não seja declaratório.
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse há pouco, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), que os juros vão cair, mas que não lhe perguntem quando, porque ele não sabe. Segundo o presidente, é preciso derrubar as taxas de juros, mas não por um ato do presidente da República. Ele lembrou que, no ano passado, quando o governo atendeu à grita de empresários que pediam juros menores, a economia do País pagou um custo elevado pela decisão de reduzir as taxas. "Fizemos e estamos tendo o custo disso, mas não adianta chorar sobre o leite derramado", afirmou.
O presidente Fernando Henrique Cardoso assegurou há pouco que não vai ceder para manter a responsabilidade e austeridade fiscal. Ele disse que essa responsabilidade fiscal e austeridade precisam ser generalizadas no País. "Eu não vou ceder nesse ponto", disse o presidente enfaticamente, sendo aplaudido pelos participantes do seminário sobre o futuro da indústria, na Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ele enfatizou, ainda, a necessidade de a lei de responsabilidade fiscal ser votada antes da reforma tributária.





