FHC cria força-tarefa contra incêndio
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quinta-feira, 26 de março de 1998
Agência Estado 
Agência Estado
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Sob a fumaçaA fumaça do incêndio invadiu ontem Boa Vista. Pela primeira vez desde o início do fogo a cidade amanheceu escura e a visibilidade não passava de 30 metrosTrês meses depois de o governador Neudo Ribeiro Campos (PTB) ter decretado estado de calamidade pública em Roraima por causa da seca, o governo federal decidiu criar uma força-tarefa para enfrentar o incêndio que atinge grande parte do Estado e afetou a imagem internacional do Brasil. A criação da força-tarefa, comandada pelo Secretário Nacional de Políticas Regionais, Fernando Catão, foi decidida ontem em Brasília em reunião da Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional, a única chefiada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
O comando dos grupos encarregados de combater o incêndio nas matas permanece com o general Luís Edmundo Carvalho, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva. A equipe de Catão deverá analisar e decidir o que aceitar entre as ofertas de ajuda internacional, como apoio de técnicos da Organização das Nações Unidas (ONU), especializados em desastres naturais. Toda oferta é bem vinda e será ajustada às necessidades, disse o porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral.
Na avaliação das ações tomadas até agora, o governo concluiu que faltou coordenação da atuação dos ministérios e da divulgação do trabalho oficial. Entre as decisões da reunião, está a centralização dos esforços de comunicação sobre o desastre.
Com slides e mapas, o governo avaliou a dimensão do fogo. São vinte focos de incêndio, em uma área de 400 quilômetros, 4% a 6% do território do Estado. Cerca de 25% do território está sujeito ao aparecimento de novos focos.
O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, voa hoje à noite para Roraima, para ver de perto os efeitos do incêndio que devasta a região e recolocou a Amazônia no centro das atenções do governo e da imprensa internacional. Lula será o primeiro candidato a visitar o Estado.
Amanhã, o candidato vai se reunir com ecologistas e indigenistas e depois sobrevoar, num jatinho alugado pelo PT, as áreas mais afetadas. O Palácio do Planalto está atento aos movimentos do adversário. O presidente Fernando Henrique Cardoso foi informado ontem sobre a viagem de Lula, mas avaliou que isso não deveria influenciar sua decisão sobre ir ou não ir à região do incêndio. Um de seus assessores resumiu o raciocínio do presidente: O importante não é estar lá, é tomar providências.


