FHC conversa com Covas por 1h30m antes de voltar a Brasília
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sexta-feira, 09 de julho de 1999
Por Denise Ramiro e Márcia Furlan 
São Paulo, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso teve hoje um encontro de uma hora e meia com o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, e atrasou em 45 minutos sua partida para Brasília. Os dois ficaram a sós e o assunto da conversa não foi revelado. Covas havia feito pesadas críticas a FHC quanto aos incentivos federais dados à Ford, para que instale uma fábrica na Bahia, e quanto à demora do presidente em definir a reforma ministerial.
Fernando Henrique havia passado toda a manhã e o início da tarde em seu apartamento, em Higienópolis, e decidiu de última hora, segundo assessores, conversar com Covas na sede do governo paulista. Em seu segundo dia em São Paulo, o presidente não tinha compromissos agendados. O retorno a Brasília estava marcado para as 17 horas, mas o encontro com o governador acabou se prolongando.
Durante a manhã, Fernando Henrique ficou em casa. Por volta do meio-dia, o ministro da Saúde, José Serra, chegou ao prédio na Rua Maranhão, de onde saiu uma hora e meia depois. Serra nada disse aos jornalistas e tampouco os assessores do presidente informaram sobre o que conversaram os dois.
Tido por analistas como uma espécie de articulador político do Planalto junto ao PMDB, Serra havia jantado com Fernando Henrique na véspera, numa pizzaria em Cotia, na Grande São Paulo. Também o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), jantaram com o presidente.
Críticas - Pela manhã, durante visita aos municípios de Osasco, Carapicuíba e Taboão da Serra, o governador paulista criticou, em entrevista à AGÊNCIA ESTADO, a lentidão do governo federal em definir a reforma ministerial, que já estaria produzindo efeitos negativos. Para trocar ministros, "não precisa fazer nenhum salamaleque, nenhum barulho", opiniou.
Na mesma ocasião, Covas condenou duramente a saída encontrada pelo presidente - de vetar a MP de prorrogação do prazo do regime automotivo e criar outra para facilitar a instação de indústrias no Norte, Nordeste e Centro-Oeste -, classificando-a de "barbaridade". "A guerra fiscal é proibida por lei e já existia. Agora, o governo federal, além de fazer isto, ainda está dando outras vantagens", declarou.
Depois de conversar com Fernando Henrique, Covas evitou contato com jornalistas. O presidente, por sua vez, deixou São Paulo às 17h45 rumo a Brasília, acompanhado de Ruth Cardoso.


