Brasília, 30 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso começou hoje a conversar com as principais lideranças partidárias para acertar a reforma ministerial. O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), sugeriu ao presidente um enxugamento da estrutura do governo, passando dos atuais 20 para 12 ministérios. O único consenso até agora na base aliada é que o presidente não deverá modificar a representação atual dos partidos dentro do governo. Ou seja, Fernando Henrique irá preservar os espaços políticos de cada legenda.
O presidente deve acabar com algumas das secretarias de Estado criadas como prêmio de "consolação" neste segundo mandato, para abrigar auxiliares do governo. Também deverão sair ministros que não estão apresentando um bom desempenho. Fernando Henrique faz mistério sobre o que pretende fazer. "Ele não está falando nada sobre reforma ministerial", comentou o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), depois de um almoço, no Alvorada, com os outros líderes governistas. "O presidente não está falando para ninguém sobre o que está pensando", completou o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
A única diferença notada pelos interlocutores foi que o presidente recuperou o ânimo. "Depois que regressou do Rio, onde tratou de política externa, o presidente voltou a ter ânimo para cuidar das coisas menores e pode até mesmo surpreender nessa reforma", avaliou um ministro próximo de Fernando Henrique.
Pela proposta de Bornhausen, vários dos atuais ministérios seriam fundidos como o dos Transportes, Minas e Energia e Comunicações no Ministério da Infra-estrutura; e o da Fazenda e Orçamento e Gestão no Ministério da Economia. "O presidente concordou com o enxugamento da máquina", garantiu o senador catarinense. Ele defendeu uma mudança geral dos integrantes do primeiro escalão. "Esse ministério foi o que enfrentou a crise, mas agora é preciso avançar", disse Bornhausen.
Mas dentro do próprio PFL já existe restrições à proposta de presidente do partido. O senador Antonio Carlos Magalhães havia dito que o presidente não iria mexer nos ministros do PFL. Hoje, o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), considerou muito difícil a concretização das propostas de Bornhausen. "Com uma base heterogênea como esta, não sei como o presidente Fernando Henrique poderá abdicar dessa composição, já que ele ainda está submisso à lógica perversa dos três quintos"
avaliou Inocêncio fazendo uma referência à representação necessária na Câmara.
Além do PFL, os outros partidos da base pressionaram Fernando Henrique. "O PFL e o PSDB constataram o óbvio ao constatarem que quem faz a reforma e escolhe o melhor momento para isso é o presidente da República e quando você constata o óbvio está a caminho de ser sábio", ironizou o presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA), que comparou a estrutura do ministério proposta por Bornhausen ao modelo instituído pelo governo Collor. O PMDB voltou a engrossar a voz, exigindo sua participação no governo. "Não consigo ver qualquer mudança ampla, até porque o presidente não chamou os partidos para conversar e tem dito que não irá fazer qualquer reforma ministerial", disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA).
O líder do PPB, deputado Odelmo Leão, também foi na mesma linha. "O PPB não tem dado nenhum trabalho para o governo e o presidente garantiu que não iria mexer nos ministros do partido", cobrou Odelmo.
O único apoio hoje veio do partido do presidente. Os senadores do PSDB entregaram uma carta a Fernando Henrique dando total liberdade para fazer a reforma ministerial. "Não temos indicações, nem vetos", escreveram os senadores tucanos.

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