Ipojuca, 07 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso considerou "suficientes" as medidas anunciadas hoje pela área econômica para compensar as perdas com a derrubada, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da contribuição dos funcionários aposentados. Fernando Henrique insistiu na necessidade de os governadores, até mesmo os da oposição, discutirem a questão da Previdência, que atingirá a todos, possivelmente dia 15. "Nós temos de encarar o problema da Previdência de uma maneira coletiva porque o governo já fez o que pôde", prosseguiu ele, acrescentando que "a solução virá dessas conversas".
As declarações do presidente foram dadas depois da inauguração da primeira etapa do Porto de Suape, em Pernambuco, quando comemorou a votação dos parlamentares, que aprovaram a nova fórmula do pagamento das aposentadorias. "O Congresso tomou uma decisão corajosa, que vai permitir reduzir o déficit futuro da Previdência", disse ele, que acredita que as votações avançarão ainda mais esse mês.
Fernando Henrique sinalizou ainda com a possibilidade de suspender logo alguma medida que for considerada mais penosa para o País. Não citou, no entanto, qual poderia ser. "Se alguma medida, eventualmente, funcionar melhor do que outra, nós poderemos até mesmo aliviar o que for mais pesado para o País", afirmou ele, acrescentando que o corte será em várias áreas, a serem determinadas, mas sempre preservando o social.
"O corte será em várias partes", observou ele, explicando que vai tentar evitar que muitas obras importantes sejam paralisadas. "Mas as decisões têm um preço alto, que é atrapalhar certos processos de desenvolvimento", advertiu, lembrando que o governo federal não queria esses cortes, que só foram feitos por causa da posição do STF.
Sobre o envio de uma emenda constitucional para permitir cobrança de Previdência dos servidores inativos, o presidente avisou que vai conversar com os governadores e com a sociedade.
Para ele, é preciso perguntar ao País se está disposto a continuar pagando muito para poucos porque "o presidente tem de respeitar a vontade do País e as leis". "Agora, temos de ver como é que a sociedade quer que se resolva porque o déficit da Previdência é crescente e não me parece justo que o conjunto da população, sobretudo os mais pobres, paguem pela aposentadoria daqueles que ganham muito." Em relação ao convite aos governadores da oposição para discutir o déficit da Previdência, o presidente declarou: "Acho que um problema nacional, dessa magnitude, todo cidadão brasileiro, responsável, deveria estar perguntando: Como vamos sair dessa?" De acordo com Fernando Henrique, esse déficit limita a possibilidade de o governo reduzir os juros, dar mais empregos e crescer a economia. "Para mim, não entra a categoria oposição ou não-oposição." Ele indagou: "É brasileiro?; está preocupado com o seu povo?" Ele pregou: "Então, vamos discutir."
Segundo o presidente, o governo está controlando os gastos públicos e não enfrenta problemas quanto à realização do superávit necessário para continuar baixando as taxas de juros. Mas advertiu que o déficit da Previdência tem de ser diminuído e
por isso, o Congresso precisa continuar votando. "Quando se diz reduzir o déficit, diz-se baixar as taxas de juros, quando se diz baixar as taxas de juros, diz-se aumentar a taxa de crescimento, que significa aumento do emprego e melhoria de renda da população", completou.

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