Brasília, 08 (AE) - Dois meses depois de criar sete novas secretarias de Estado - seis, no início do governo e uma, posteriormente - o presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou hoje que vai enxugar a máquina do governo. A informação foi transmitida pelo porta-voz do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, que não soube dizer, no entanto, quais dessas secretarias poderiam ser extintas. A possível extinção de secretarias, de acordo com Amaral, está na dependência da ida do ministro do Orçamento e Gestão, Paulo Paiva, para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que ainda estaria sendo discutida pelo governo brasileiro e a instituição.
"O presidente quer que haja uma redução da máquina do governo porque o governo tem de ser o primeiro a dar exemplo", disse Amaral. O porta-voz lembrou ainda que as mudanças estão sendo propostas porque "o corte de despesas que será feito se mostrou maior do que aquele que se cogitava em dezembro", quando foi montada a estrutura de governo para o segundo mandato.
Em janeiro, Fernando Henrique criou as seguintes secretarias nacionais: Ação Social (Wanda Engel), Direitos Humanos (José Gregori), Administração e Patrimônio (Cláudia Costin), Comunicação de Governo (Andrea Matarazzo), Relações Institucionais (Eduardo Graeff) e Planejamento e Avaliação (Edward Amadeo). No decorrer de fevereiro, foi criada ainda a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, assumida por Sérgio Cutolo
no semana passada.
Amaral explicou que o governo mudou de idéia em relação à estrutura "à luz da evolução do quadro e da necessidade de ampliar o resultado fiscal". Amaral declarou que as secretarias anteriormente criadas não implicaram em aumento de despesas.
"O que se quer não é manter a despesa no patamar que estava, mas reduzir essas despesas", prosseguiu Amaral, insistindo que o governo fará um "esforço adicional" para reduzir a máquina administrativa.
Segundo Amaral, todas as mudanças que estão sendo especuladas pela imprensa, pressupõem a ida de Paiva para o BID, cujas negociações só serão concluídas em dois meses. Esclareceu ainda que foi criado um novo cargo de vice-presidente do BID, que será ocupado por um brasileiro. Amaral confirmou que é idéia do governo indicar Paiva para o banco, ressalvando, no entanto, que tudo só pode ser definido quando o ministro for indicado.
Com a saída de Paiva, a expectativa é de que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, assuma o lugar dele, convidando para a Secretaria-Executiva do Ministério do Orçamernto e Gestão, Cláudia Costin. Fala-se ainda da extinção da Secretaria de Planejamento e Avaliação, assim como da saída de Matarazzo, que está na Comunicação de Governo.

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