Brasília, 29 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu hoje ter almoçado com o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes em 14 de janeiro, dia em que o BC vendeu dólar mais barato ao Banco Marka, mas negou que eles discutiram ajuda ao banco e sim a ampliação da banda cambial. "Este foi o único assunto", declarou o porta-voz Sérgio Amaral, depois de garantir que "em nennhum momento se falou sobre Marka ou FonteCindan, assunto sobre o qual o presidente nunca tomou conhecimento, a não ser pela imprensa".
O porta-voz rechaçou as insinuações feitas pelo advogado do ex-presidente do BC, de que o assunto da reunião, naquele 14 de janeiro, teria sido o socorro aos bancos Marka e FonteCindam. Neste almoço com Lopes também estiveram presentes, segundo Amaral, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, o secretário de Política Econômica, Amaury Bier e o diretor da área Externa do BC, Demóstenes Madureira.
Amaral afirmou ainda que o presidente Fernando Henrique não sabia da decisão de Francisco Lopes de se omitir de prestar depoimento à CPI e nem tinha conhecimento das conversas travadas entre o ex-presidente do BC com o ministro da Casa Civil, Clóvis Carvalho, e o secretário de Relações Institucionais, Eduardo Graeff.
Segundo o porta-voz, no dia 12 de janeiro, o presidente havia viajado para Aracaju (SE), para descansar. Mas por causa da decisão de afastamento de Gustavo Franco, Fernando Henrique resolveu regressar a Brasília na manhã do dia 13 de janeiro. No dia 14, prosseguiu, o presidente teve "a primeira reunião com a equipe econômica para avaliar o novo mecanismo da banda para o câmbio".
O porta-voz também negou que o presidente tenha tomado conhecimento de que Clóvis e Graeff tenham orientado Francisco Lopes em relação a estratégia que deveriam adotar na CPI dos Bancos. "O presidente, em nenhum momento, interveio na estratégia a ser adotada, nem tomou conhecimento de possíveis orientação a Lopes", declarou, insistindo que se os assessores do presidente o fizeram, ele não teve conhecimento. "Mas ele não pode proibir seus assessores de conversarem pelo telefone", disse Sérgio Amaral.
O porta-voz do Planalto informou ainda que o presidente não teve acesso ao relatório da comissão de sindicância do Banco Central, divulgado ontem (28).

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