FHC condena reajuste geral de salários
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segunda-feira, 15 de novembro de 1999
Por Isabel Braga Enviada especial 
Havana, 15 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou hoje o reajuste geral de salários em razão do aumento da inflação no Brasil. Segundo o presidente, não há problema se algumas empresas negociarem individualmente aumentos para seus trabalhadores. "O que não pode é haver (reajuste) geral", disse. "Geral não, porque não cabe", acrescentou. Em entrevista aos jornalistas brasileiros, o presidente voltou a condenar o aumento abusivo de preços e conclamou a população brasileira a uma "união contra o abuso".
Fernando Henrique mandou ainda um recado aos empresários do País: "não é o momento de estar aumentando preços, porque aumentar preços, aumenta juros, e aumentar juros diminui a taxa de crescimento, o que não é bom para o País". Segundo o presidente "se alguns setores empresariais têm uma boa margem de produtividade que permite uma acomodação de preços, não precisam transferir (o aumento) para o preço final".
O presidente avisou que o governo tem mecanismos suficientes para evitar o abuso no aumento de preços de produtos. "A regra é de mercado, mas o governo tem mecanismos suficientes para evitar que haja descompasso", disse, sem citar que mecanismos são esses. Segundo o presidente, a equipe econômica tem feito pesquisas para descobrir os setores que estão praticando aumentos abusivos de preços e a divulgação dos meios que o governo pretende utilizar para coibir o abuso poderia prejudicar a ação.
Depois de afirmar que "salário é o preço da força de trabalho", Fernando Henrique explicou que os aumentos salariais só podem ser negociados individualmente porque é preciso levar em consideração o "estado de desenvolvimento" de cada setor. "Mas eu acho muito bom que as empresas que possam pagar melhor, que paguem melhor", comentou. "Acho até muito bom que haja um acerto entre os trabalhadores e os empresários", insistiu.
Consciência - Ao pedir a união da população contra o aumento abusivo de preços no País, o presidente negou que esteja fazendo apelo por um pacto nacional. "Pacto é uma palavra desgastada", explicou o presidente. "Mas acho que é a consciência de cada um dos brasileiros, no sentido de que não se deve aceitar aumentos abusivos de preços e o governo vai agir também." Fernando Henrique, que ontem admitiu a preocupação do governo com a possível volta da inflação no Brasil, disse que o momento é de união.
"O Brasil passou por muitas dificuldades, foi muito difícil nós superarmos boa parte das dificuldades, o povo sofreu e agora é hora de a gente retomar o crescimento", afirmou, completando: "não é hora de abusar".
Para o presidente, o que houve até agora e que refletiu no aumento da inflação foram reajustes de tarifas, como a da energia elétrica e dos combustíveis. "Foi uma vez, não é toda hora", completou. "Agora, há gente que abusa e a partir daí começa a aumentar preços; não pode".
O presidente lembrou que no começo deste ano, quando o governo provocou a desvalorização do real com a mudança cambial, foi muito mais difícil controlar a inflação, e o governo contou com a reação da população. "Houve uma reação da dona de casa, da pessoa que vai fazer uma compra, do homem, da mulher", comentou, acrescentando: "havia especulação e a população resistiu à especulação; tem de fazer a mesma coisa agora."


