FHC condena populismo
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Liliana Lavoratti 
San Jose, Costa Rica, 04 (AE) - Em palestra proferida hoje a um grupo de intelectuais costarriquenses, em San Jose, o presidente Fernando Henrique Cardoso condenou o populismo e confessou ser um desafio a função de dirigente de um País. "No novo milênio, é preciso ter a responsabilidade política para não se deixar seduzir pelo apelo fácil do populismo, amigo do autoritarismo", afirmou.
Mais tarde, bem-humorado, Fernando Henrique disse que usará nas reuniões ministeriais o martelo que os juízes utilizam para proferir sentenças judiciais. Ele fez essa brincadeira ao ser presenteado com um martelo pelo presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o brasileiro Antonio Cançado Trindade, durante cerimônia de doação do busto de Rui Barbosa à entidade. A Corte, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), é o fórum destinado à solução de conflitos internacionais envolvendo direitos humanos.
Durante a palestra Democracia e Desenvolvimento, o presidente defendeu a necessidade de as classes dirigentes na América Latina renovarem conceitos e explorarem novos caminhos. Ele foi enfático ao defender que está em jogo mais do que o desempenho econômico das democracias conquistadas na América Latina. "Trata-se da capacidade de modelarnos, pelo método democrático, um conceito de desenvolvimento que não seja excludente, que contemple a todos e possibilite erradicar a indigência em que continuam a viver milhões de latino-americanos", completou.
Na opinião de Fernando Henrique, assim como o Estado de Direito por si só não garante um modelo justo para a maioria da população, o crescimento econômico dificilmente se sustenta sem um amplo usufruto de liberdades políticas.
Fernando Henrique disse estar convencido de que a legitimidade e a credibilidade são fundamentais para os governantes buscarem um conceito de desenvolvimento diferente daquele que pautou a experiência histórica. Ele citou o Plano Real como exemplo de método democrático.
"As opções que as autoridades costumam dispor para a superação de crises conjunturais provêm do debate diário entre governo e oposição", acrescentou.


