Brasília, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso condenou hoje a discussão sobre indexação de salários, neste momento. Segundo o porta-voz do presidente, Sérgio Amaral, ao invés de discutir hipótese de inflação futura, é preciso trabalhar para evitar que o aumento de preços atinja os 16% previstos no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e impedir que haja a indexação da economia.
"Não é solução a indexação", disse o porta-voz, depois de lembrar que nem mesmo os sindicatos estão defendendo a tese da vinculação dos salários ao aumento dos preços. "A preocupação, no momento, é com o emprego e não com o salário", prosseguiu Amaral.
Para Amaral, é preciso ter muito clara a distinção entre aumento de preços transitórios, de uma vez, e o aumento continuado e persistente dos preços, que depois será sustado. O porta-voz acrescentou que a projeção de uma inflação de 16% a 17% é apenas uma hipótese de trabalho mas o que o governo quer é justamente evitar que a inflação chegue a esse patamar.
"É muito importante que não haja indexação dos salários aos preços porque, se houver, nós poderemos, sim, ter a volta do processo inflacionário, maior responsável pela corrosão dos salários do trabalhador", prosseguiu Amaral.
"É preciso lutar contra a inflação e esta é a preocupação do governo no momento e não começar a falar em indexação desde já", avisou Amaral após lembrar que, neste momento, o consumidor tem um papel importante de não permitir aumentos injustificáveis de preço. "É preciso primeiro lutar contra a inflação e não pleitear reindexação", completou.
Amaral afirmou ainda que o governo está convencido da legalidade da cobrança de contribuição por parte dos inativos e da necessidade, para cobrir o déficit da Previdência. Acentuou ainda que o governo considera um direito de todo cidadão entrar na Justiça para apresentar seus pleitos, quando se considerar prejudicado.

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