Brasília, 18 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso comparou hoje o papel da imprensa com a função exercida pelo coro no teatro grego da Antiguidade. "Dando a impressão de que não são partícipes ativos, (os jornalistas) funcionam como coro fazendo a crítica e o contraponto, levando os principais personagens (os políticos) a atuar de forma diversa e a ter de responder à existência desse permanente alerta, que é dado pela mídia", disse o presidente, em discurso, durante a inauguração do novo parque gráfico do jornal "Correio Braziliense".
Segundo Fernando Henrique, por entender o papel desse "coro", ele prefere, "ao invés de não ouvir, ouví-lo muito atentamente, embora nem sempre concordando, mas sempre sabendo que é importante que se faça esse barulho". Na Grécia antiga, o coro era formado por um número indefinido de atores que tinham como função narrar a história. Esses atores coadjuvantes atuavam como intermediários entre os fatos e personagens da peça e a platéia, conduzindo a narrativa.
O presidente afirmou ainda que a mídia escrita está "começando a entender" o novo papel dela. Fernando Henrique explicou que, como na sociedade moderna, a comunicação instantânea produz um excesso de informação fragmentada e a mídia escrita "precisa reconstruir essa informação através de algum tipo de interpretação". "Os jornais e as revistas, crescentemente, têm esse papel de ordenador do pensamento."
Fernando Henrique enfatizou que, como presidente, foi a várias inaugurações de parques gráficos de jornais nos últimos anos e que isto é um sinal "evidente de que este País se transforma, a despeito de tudo e das dificuldades." O presidente comentou ainda que o espanta o fato de o avanço de outros meios de comunicação - como o da Internet - não estar ocorrendo em detrimento do interesse pela imprensa escrita.
"Há espaço de crescimento e parece que há até uma interação virtuosa, e quanto mais nós nos espantamos - eu espanto-me - com o número de pessoas que hoje manipula a Internet, adere à informação instantânea, mais aumenta o número de leitores também", argumentou o presidente.
Para o presidente, na sociedade contemporânea, também chamada de sociedade de informação, "a imprensa e a mídia em geral transformaram-se num dos pilares da nova sociedade".
O presidente disse ainda que o País vive um momento frutífero para a democracia porque há absoluta liberdade. "A nossa imprensa, não só a escrita, tem sido capaz de utilizar esse espaço de liberdade para ajudar a construir a democracia e para apontar aquilo que deva ser corrigido na nossa sociedade e nos costumes", afirmou, acrescentando: "Inclusive os políticos
para que possamos, cada vez mais, seguir no caminho da consolidação de uma grande nação."

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