FHC cobrará amanhã do PMDB comportamento de aliado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Diana Fernandes 
Brasília, 12 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso vai cobrar amanhã (13) de líderes, dirigentes e ministros do PMDB, com os quais se reúne no Palácio do Alvorada, comportamento de aliado.
Os peemedebistas esperavam por esta manifestação de Fernando Henrique desde que surgiram informações de que uma ala do PSDB defendia a "expulsão" do PMDB da base de sustentação ao governo. Um dos resultados dessa mágoa foi o pedido, feito pelo presidente nacional do partido, Jáder Barbalho (PA), de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI0 do Sistema Financeiro.
O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, a quem foi atribuída a operação de exclusão do PMDB, nunca desmentiu categoricamente a acusação e contribuiu, então, para que o partido de Barbalho levasse adiante a proposta da CPI.
Para a tarefa de afagar o PMDB, Fernando Henrique escalou também o ministro da Saúde, José Serra. Na noite de ontem (11), Serra convidou para conversas separadas o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, Barbalho e o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).
Hoje, FHC chamou Lima para uma conversa no Palácio da Alvorada. Em todas essas conversas, foi expressada a "relevante importânciaque o PMDB tem para o governo.
"O presidente e o ministro José Serra, este um importante dirigente tucano, concluíram que ficou patente o equívoco de segmentos do PSDB que defenderam a saída do nosso partido da base governista", contou o líder, depois da conversa com o presidente. "Tivemos uma conversa franca, objetiva e amigável", completou, ressaltando que foi dito, tanto ao presidente quanto a Serra, que o PMDB está interessado em melhorar suas relações com o PSDB e o governo, mas não aceita o ministro Pimenta da Veiga como interlocutor do partido junto ao Planalto. "Tenho respeito pessoal pela seriedade e honestidade do ministro Pimenta, mas ele não é o interlocutor para o PMDB."
Os peemedebistas falam da necessidade de separar o episódio da CPI do Sistema Financeiro - que provocou a reação tucana - do momento atual, em que se trabalha pela reaproximação dos partidos governistas. Mas o assunto CPI só deixará de ser um problema se for conduzida de forma "ponderada e responsável", como quer o Palácio do Planalto. É essa a contrapartida que o governo espera do PMDB.


