FHC cobra de Calheiros rapidez no inquérito da PF sobre o grampo no BNDES
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 25 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou hoje pela manhã ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, e cobrou mais agilidade na conclusão do inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga a escuta telefônica no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Fernando Henrique ligou para o ministro depois de ler as denúncias de que teria tomado "partido" em leilão da privatização do setor de telecomunicações, segundo reportagem publicada pelo jornal "Folha de S. Paulo".
No telefonema ao ministro, o presidente perguntou os motivos pelos quais o inquérito, instaurado em 1998, ainda não foi concluído. O ministro levantou as informações junto à PF e se reuniu no período da tarde com Fernando Henrique. O ministro disse ao presidente que o inquérito "atrasou" porque a PF demorou a receber as duas fitas da escuta telefônica no BNDES, referentes à primeira denúncia de privilégio a grupos que participaram do leilão. Estas denúncias levaram à saída do governo do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e do presidente do BNDES, André Lara Rezende. A escuta telefônica teria sido feito em julho e a PF pegou as mãos nas fitas em 10 de novembro.
O ministro disse ainda ao presidente que o inquérito atrasou porque o Ministério Público (MP) no Rio pediu à Justiça a quebra de sigilos telefônicos de mais envolvidos, o que está tramitando em segredo de Justiça. O ministro prometeu a Fernando Henrique pedir à PF que acelere ainda mais a conclusão do inquérito.
O presidente queria ouvir do ministro mais detalhes sobre as fitas divulgadas hoje pela Folha de S. Paulo. O ministro respondeu que a PF não tinha comprovação da existência destas novas fitas. Renan disse a Fernando Henrique que nenhuma das pessoas ouvidas no inquérito disse ter conhecimento da existência de mais fitas. Em 1998, circularam versões sobre a existência de mais fitas, mas, dentro do governo, pouca gente acreditava nesta hipótese, depois de tanto tempo.
A partir das primeiras denúncias de esculta telefônica, o governo federal reconheceu a vulnerabilidade dos sistemas de comunicação interna e foi determinada uma varredura eletrônica completa na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A PF, que tem poucos quadros técnicos nesta área, fez a varredura por etapas.


