Mossoró, RN, 24 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou hoje da base governista a aprovação no Congresso do salário mínimo de 151 reais.
"Vou cobrar apoio de todos os partidos", avisou o presidente, que reconhece que o novo valor "é insuficiente". Fernando Henrique lembrou que este foi "o máximo" que o governo pôde dar. "Salário não pode ser objeto de demagogia", afirmou, ao defender ainda a aprovação da reforma tributária, da lei de quebra do sigilo bancário e de crimes contra a Previdência.
Depois de insistir que o salário mínimo teve "aumento real", o presidente informou que, durante a reunião de ontem, no Palácio do Planalto, com os líderes dos partidos que integram a base aliada, os ministros apresentaram o novo valor do mínimo e justificaram o que era o máximo que se podia dar, "ninguém contestou". Para o presidente, se ninguém contestou, "como é que a base não vai sustentar (o aumento)?"
Ele completou: "Vai sim, eu vou cobrar, vou cobrar apoio mesmo porque o apoio é para o Brasil, para que o trabalhador possa ter seu salário."
As declarações do presidente foram dadas em Mossoró, a 300 quilômetros de Natal, depois de enfrentar uma manifestação contra o novo mínimo, durante solenidade de inauguração da adutora da cidade.
Fernando Henrique garantiu ainda que o governo vai continuar "lutando para repor o salário mínimo", mas que isso tem de ser feito com responsabilidade. "Todo mundo sabe que a inflação é contra o trabalhador e come o dinheiro do trabalhador", explicou.
Fernando Henrique comentou que "enfrentou dificuldades até dentro de sua própria equipe de governo" para chegar ao nível que se chegou - referindo-se ao valor de 151 reais - e, sobretudo, para se chegar à fórmula que permitirá aos Estados e municípios fixarem valores maiores e diferenciados para o mínimo. "Foi uma abertura imensa", disse ele, que não acredita que a "solução engenhosa" tenha sido considerada ilegal pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), já que o TST não foi acionado ou se pronunciou por escrito.
Perguntado de onde o governo ia tirar o R$ 1 bilhão para pagar o rombo na Previdência por causa do aumento do salário mínimo, afirmou: "Vejam vocês que a pergunta é boa porque queriam mais ainda quando para conseguir esse R$ 1 bilhão já é difícil pois o orçamento é deficitário." Para isso, o presidente justificou que, ainda naquela reunião, pediu aos líderes que "votassem logo" as mudanças no Código Tributário, o projeto de lei que trata da quebra de sigilo bancário e crimes contra a Previdência. "Essas são medidas que imaginamos que possam dar um saldo." Fernando Henrique estava acompanhado de representantes de todos os partidos. O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), um dos integrantes da comitiva, que tinha quatro ministros e deputados e senadores do Rio Grande do Norte, declarou ao fim da cerimônia
que a legenda ajudará o governo a aprovar o novo mínimo no Congresso e que o próximo passo é adotar a desvinculação do valor do mínimo da Previdência.

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