Brasília, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso, no discurso, citou o filósofo Nicolau Maquiavel, ao afirmar que "o reformador enfrenta muitas resistências" porque os setores prejudicados pelas reformas reagem e os que serão beneficiados não têm a percepção imediata disso. "O reformador, em certos momentos, é um ser isolado", avaliou. Ele concluiu que, por isso, tem de ter firmeza e convicção. "Se ele for bem sucedido nas reformas, o reconhecimento virá com o tempo." O presidente reconheceu que o tema das reformas está cansando, mas afirmou que elas continuam sendo indispensáveis. Fernando Henrique prometeu que manterá um diálogo permanente com o Congresso sobre as reformas ainda não-aprovadas. Em relação à reforma da Previdência, o presidente observou que falta pouco e que é necessária. "O Estado brasileiro só tem um grande problema fiscal: o desequilíbrio previdenciário", disse o presidente. FHC acrescentou que a proposta de reforma da legislação trabalhista precisa avançar e que o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, está empenhando-se nisso. FHC reconheceu que a reforma do Judiciário "é muito complexa para um pobre sociólogo, mas precisa ser feita". Citou como exemplo dessa necessidade a concessão de liminares que "permitem a perpetuação da sonegação". O presidente rebateu as críticas dos setores que rejeitaram a escolha do ministro Alcides Tápias para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por ter sido presidente da Febraban. "Coisa terrível, meu Deus!", ironizou. Em seguida, referindo-se à trajetória de Tápias na iniciativa privada, disse que alguns setores, no Brasil, reagem de forma negativa em face do sucesso. Elogiou Tápias por ter dito, no discurso, que estava se integrando ao governo e que tem as mesmas preocupações da equipe governista. Segundo o presidente, Tápias entrou nesse processo de integração "com o coração aberto". Fernando Henrique disse ter trazido para o ministério homens do setor privado "que podem dar uma colaboração importante". Sem citar nomes, o presidente estava referindo-se aos ministros da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes (ex-presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros), e da Integração Nacional, Fernando Bezerra (ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria), e ao próprio Tápias. Segundo Fernando Henrique, o governo não pode ser acusado de não estabelecer canais com o setor produtivo e de não ser sensível às reivindicações dessa área.

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