FHC chama interlocutores para solucionar desavença entre aliados
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domingo, 04 de abril de 1999
Por Gerson Camarotti e Sílvia Faria 
Brasília, 05 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso convocou interlocutores para resolver o conflito provocado com a divulgação da notícia de que o PSDB e o PFL estariam interressados na saída imediata do PMDB da base de sustentação do governo. FHC quer embarcar para a Europa, no início da próxima semana, com o embate encerrado.
"Nesse caso, o bombeiro terá de ser o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso", avalia, no entanto, um assessor do presidente.
Hoje, o presidente começou a ligar para os aliados com o objetivo de tentar reverter a situação. Paralelamente à iniciativa do Palácio do Planalto, os tucanos e pefelistas começaram a mudar o discurso de ataque e passaram a valorizar o PMDB. "Os incendiários acabaram tornando-se bombeiros, até porque perceberam que a situação estaria insustentável", comentou o assessor do presidente.
"Não interessa ao governo a saída do PMDB", esclareceu o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio (AM). "O PMDB não será excluído do governo, até porque esse não é o estilo do presidente", reforçou o senador José Jorge (PE), vice-presidente do PFL. Dentro do PMDB, essas reações começam a ser bem recebidas. "A semana santa pacificou os corações", observou o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que ainda hoje iria se encontrar com Fernando Henrique.
O limite da revolta dos peemedebistas foi a informação de que o articulador político do governo, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), estaria no centro das negociações para tirar do governo os ministros peemedebistas da Justiça, Renan Calheiros, e dos Transportes, Eliseu Padilha, como forma de retaliação pela criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, proposta pelo presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA). Procurado pela reportagem, Veiga não retornou a ligação.
O PMDB exigirá um desmentido público da notícia atribuída ao ministro tucano. "Se o Pimenta da Veiga não tinha muita função como articulador, agora é que ele não tem nenhuma"
avisou um cacique peemedebista, preferindo o anonimato. Hoje, o Ministério das Comunicações recebeu o aval do Palácio do Planalto com o objetivo de nomear os ex-deputados Genésio Bernardino (PMDB-MG), para dirigir o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), e Wagner Rossi (PMDB-SP), no para presidir a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), com sede em Santos (SP).
No PSDB, ninguém desmentiu a notícia de que Veiga teria pedido a saída do PMDB da base. "Não tem como o governo abrir mão desse apoio, já que, sem o PMDB, a situação ficará extremamente complicada", avalia o senador tucano Lúcio Alcântara (CE), lembrando como exemplo que, até o fim do ano, será preciso renovar o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) - uma votação que precisa pelo menos de três quintos dos votos na Câmara e no Senado. "Se o PMDB se unir com a oposição, será um estrago", completa Alcântara.
O presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), deverá marcar uma reunião ainda esta semana com Barbalho e com o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). "O PSDB tem como função ser o grande articulador dessa unidade", avalia Virgílio. O senador Jorge também acredita que esse encontro poderá ser reinício da convivência entre os aliados. "Curiosamente, essa briga com o PMDB acabou unindo o PFL e o PSDB, que estavam com a relação estremecida", observou Jorge. "Mas é preciso refazer a base para evitar agressões vindas dos próprios aliados."


