FHC bate recorde de rejeição
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por Lige Albuquerque e Gustavo Paul 
Brasília, 13 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso bateu o recorde de rejeição ao governo federal, desde a administração do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNT) ao instituto Vox Populi divulgada hoje mostra que, para 65% dos 2.200 entrevistados em todo o País, a atuação do presidente é ruim ou péssima. Na última pesquisa, o índice de impopularidade era de 59%. É o pior índice de popularidade de Fernando Henrique, desde que assumiu o primeiro mandato, e também o mais alto índice de rejeição registrado pela pesquisa CNT/Vox Populi. Até aqui, apenas Collor chegara à marca tão expressiva: 60% de rejeição registrados em agosto de 1992, às vésperas do impeachment.
O presidente da CNT, Clésio de Andrade, afirmou que os índices de rejeição ao presidente poderão aumentar nas próximas pesquisas, caso haja aumento de tarifas ou a aprovação da reforma tributária não seja acelerada. Ele lembrou, entretanto, que o levantamento divulgado hoje foi realizado nos dias 4 e 6, portanto, antes da "mudança de postura" de Fernando Henrique. "Isso ficou claro na demissão do ministro Clóvis Carvalho (ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), um homem de sua confiança, que demonstrou a desunião de teses do governo, e no lançamento do programa Avança Brasil", considerou. Carvalho foi demitido há uma semana por atacar frontalmente a política econômica conduzida pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Para a diretora do Vox Populi Helena Neiva, a queda da popularidade do presidente no momento em que o governo tenta uma virada está ligada à reação de Fernando Henrique aos protestos da oposição e de setores mais organizados. Ela referiu-se especialmente à Marcha dos Cem Mil, organizada pela frente de partidos de esquerda, e ao caminhonaço dos agricultores, promovido pela bancada ruralista no Congresso. O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga
afirmou que o resultado da pesquisa mostra a dificuldade do governo em se comunicar de modo eficiente com a população. "O governo não tem divulgado suas idéias e o que ele faz acaba não parecendo uma conquista do povo", comentou o ministro.
As manifestações contra o governo, que agitaram a Esplanada dos Ministérios em agosto, tiveram o apoio da população: 76% dos entrevistados acreditam que o Planalto agiu errado por não ter "estudado melhor" a questão dos agricultores e por os ter chamado de "caloteiros". Apenas 15% afirmou que o governo teve postura correta.
Mesmo apoio foi externado à Marcha dos Cem Mil, que pedia a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a privatização do sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás): 59% dos entrevistados considerara o protesto justo e que "deveria ter levado o governo a fazer mudanças". Dos entrevistados, 32% consideraram, contudo, que a manifestação foi política e que "não trouxe benefício para ninguém".
A pesquisa da CNT trouxe outro recado para o governo: 44% dos entrevistados defenderam o esquecimento, por parte do presidente, das "exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI)". A maioria dos cidadãos ouvidos pelo Vox Populi apontou que o governo está mais preocupado com a execução do acordo de socorro financeiro fechado com o fundo do que com medidas de interesse do País, como a geração de empregos. Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmaram que o governo dá pouca importância à abertura de novos postos de trabalho.
Apesar do desagrado com o presidente, 57% dos brasileiros afirmaram estar dispostos a fazer sacrifícios para que o controle da inflação seja mantido. "O número comprova que a população já absorveu o plano Real e não quer a volta da inflação", disse Andrade.
A pesquisa também tentou detectar a avaliação dos efeitos no País da moratória decretada em janeiro pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). Para 32% dos entrevistados, a moratória não ajuda nem atrapalha. Para 26%, o calote à dívida é ruim para o País. Apenas 10% dos entrevistados apoiaram a moratória, como instrumento para marcar posição contra o governo federal. Em outra questão, era perguntando se o entrevistado apoiava a iniciativa de Itamar: 41% responderam que não apoiavam, enquanto 31% aprovavam a moratória mineira.
A popularidade dos prefeitos, que também foi medida na pesquisa, é inversamente proporcional à de Fernando Henrique. A avaliação negativa (respostas ruim ou péssimo) dos prefeitos das cidades onde foram feitas as entrevistas tem decrescido desde fevereiro, quando era de 30%. Em maio foi de 28% e na pesquisa divulgada hoje, desceu para 26%.


