O presidente Fernando Henrique Cardoso autorizou ontem, em Brasília, a transformação de seis escolas técnicas em Centros Federais de Formação Tecnológica (Cefets) em Goiás, Piauí, Espírito Santo, Alagoas e Ceará. Atualmente, existem 11 Cefets em funcionamento no Brasil, muitos deles, como o do Ceará, oferecendo cursos de qualificação profissional entre o fim da noite e a madrugada, das 23 às 5 horas. Existem três vantagens básicas para a transformação das escolas técnicas em Cefets: o oferecimento de cursos de nível superior, o atendimento à comunidade (com cursos de nível básico) e a flexibilidade nos currículos escolares.
Os centros possuem também maior autonomia e estão autorizados pelo Ministério da Educação a ampliar e criar novos cursos. Os currículos técnicos estão estruturados em módulos, o que permite certificações parciais e reciclagem profissional.
Segundo o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, dentro da reforma da educação média e profissional, o governo está promovendo uma separação clara entre ensino médio e técnico.
‘‘A idéia é democratizar o acesso ao ensino médio público’’, argumentou Paulo Renato, na solenidade de assinatura dos decretos, realizada ontem, no Planalto. Segundo Paulo Renato, o governo estava ‘‘desperdiçando recursos e ocupando vagas de alunos que visavam a universidade no ensino técnico’’.
Fernando Henrique comemorou a reforma no ensino técnico e afirmou ontem que nunca pensou em acabar com essas escolas. ‘‘O problema não era a escola, mas os currículos’’, disse, afirmando que as escolas técnicas tem de formar técnicos e não servir de passagem para os estudantes que querem ir à universidade.
Vários Cefets mantêm relações com empresas, o que possibilita aos estudantes o desenvolvimento de atividades profissionais no local de trabalho, como parte da formação. A mudança de escola técnica para centro está sendo feita pelo Ministério da Educação de forma gradativa, com decretos específicos, depois de análise e avaliação de especialistas sobre as condições físicas do colégio, laboratórios e equipamentos, cursos ministrados e a serem dados, formação de professores e técnicos, planejamento financeiro e proposta pedagógica.
Os cursos são oferecidos de acordo com as especificidades da região onde está localizado o centro. Os cursos básicos, voltados para a comunidade, têm duração variável e são do tipo não-formais - sem regulamentação curricular. Os cursos de nível técnico possuem currículo organizado e podem ser oferecidos de forma simultânea ou em sequência ao ensino médio. Os cursos de nível superior, correspondentes à educação profissional de nível tecnológico, são estruturados para atender aos diversos setores da economia, abrangendo áreas especializadas.Agência EstadoO presidente Fernando Henrique Cardoso cumprimenta o ministro Paulo Renato, observado pelo vice Marco MacielAgência Estado

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