Brasília, 13 (AE) - O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, disse há pouco, ao divulgar o resultado da 16ª Rodada da Pesquisa CNT/Vox Populi, que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso "atravessa seu pior momento em todos os sentidos", desde que a pesquisa começou a ser realizada, em março de 1998.
A pesquisa mostrou que o cidadão brasileiro percebe os desentendimentos entre a equipe do governo. Três perguntas formuladas sobre esta questão apontaram que, para 56% dos entrevistados, é uma equipe que gasta muito tempo com brigas e intrigas; para 53%, é uma equipe em que cada ministro age de acordo com seu próprio interesse, enquanto 45% acham que é uma equipe que não trabalha unida.
Os entrevistados afirmam, no entanto, que o governo tem capacidade para resolver problemas: 75% acreditam que o governo tem capacidade para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas; 72%, para combater o analfabetismo, 71%, para melhorar o atendimento nos postos de saúde e hospitais da rede pública e 63%, que o governo tem capacidade para combater o desemprego, que é a maior preocupação do brasileiro.
Reforma ministerial - Andrade disse que a pesquisa destaca a necessidade de o presidente FHC promover "uma reforma ministerial ampla e profunda, para que o governo saia da inoperância em relação à questão do desenvolvimento do País e consiga estruturar uma equipe com maior capacidade gerencial". A pesquisa abordou, também, a questão do apoio dos partidos políticos ao presidente. O PSDB é o partido que mais apóia o governo, na opinião de 24% dos entrevistados, seguido do PMDB (opinião de 20%) e do PFL (19%). Mas o contingente de entrevistados que não tem opinião sobre a base de sustentação do governo (não sabe ou não respondeu) é elevado (32%). O partido que mais faz oposição ao governo, ainda na opinião dos entrevistados, é o PT (56%), seguido do PDT (8%), PMDB (3%) e PFL (2%).
A pesquisa CNT/Vox Populi, mostrou ainda, ao abordar a relação do presidente Fernando Henrique Cardoso com o Congresso Nacional, que 51% dos entrevistados consideram que deputados e senadores deveriam dar mais apoio ao presidente. Só 18% opinaram que os parlamentares já estão dando este apoio na medida certa.
A pesquisa questionou, também, os entrevistados sobre a reforma do Poder Judiciário e sobre a extinção da Justiça do Trabalho. Apurou que 64% consideram esta reforma muito necesssária, mas 70% acham que a Justiça do Trabalho deve continuar existindo exatamente como é hoje. No entanto, entre os 31% que disseram saber da existência da figura do juiz classista (63% não a conheciam), 69% manifestaram-se por sua extinção. Dos entrevistados, 21% afirmaram já ter procurado a Justiça do Trabalho para resolver algum problema e 62% a classificaram com o lenta. Quanto à competência deste ramo da Justiça, as opiniões se mostraram divididas. Para 49% ela é competente, enquanto 47% a consideram incompetente.

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