DE VOLTA DO CHILE FHC aproveita viagem e ‘mata saudade’ Amigos da época do exílio voluntário, na década de 60, repartiram rodadas de vinho com Fernando Henrique na noite de sábado Agência Folha De Santiago O presidente Fernando Henrique Cardoso transformou a sua viagem para a posse do novo presidente do Chile, Ricardo Lagos, numa grande e vistosa visita, em que buscou associar todas as tarefas de chefe de Estado com a de um mero saudosista. Durante as 42 horas em que ficou em Santiago, conversou a sós com sete chefes de Governo ou de Estado, reuniu-se em grupo com outros três, recebeu dois candidatos a presidente, participou de dois jantares de gala e de um grande almoço. Também encontrou tempo para rever amigos do tempo do exílio voluntário que fez no Chile, nos anos 60, num encontro regado a vinho, no palácio onde fica a embaixada brasileira. A comitiva oficial e de serviço de FHC era uma das maiores (senão a maior) dentre os 13 mandatários presentes à cerimônia de posse de Lagos. Muito pouco do que foi conversado acabou sendo divulgado. FHC não quis dar entrevistas anteontem e ontem. As conversas com os presidentes do Equador, da Argentina, de Honduras e da Costa Rica e com os primeiros-ministros da Polônia e da Nova Zelândia foram resumidas a ‘‘encontros bilaterais’’. Os candidatos à presidência do México, Francisco Labastida (PRI) e Vicente Fox (PAN), também ganharam espaço e conversaram separadamente com FHC. A reunião ocorrida na manhã de ontem entre FHC, os presidentes do Chile e da Argentina, Fernando de La Rua, e o primeiro-ministro italiano, Massimo D’Allema, para tratar da chamada ‘‘Terceira Via’’ – a busca de uma maneira progressista de governar –, também não rendeu frutos imediatos. Os quatro conversaram durante 40 minutos a portas fechadas, sem assessores. Nada foi divulgado. No Palácio Erraruriz, sede da embaixada brasileira, FHC reuniu anteontem à noite amigos chilenos e brasileiros que passaram períodos de exílio no Chile. O sociólogo francês Alain Torraine apareceu para confraternizar com o grupo, que se serviu de cordeiro assado à moda da Patagônia. Dos presentes, o mais emocionado foi o ministro da Saúde, José Serra, que morou no Chile durante nove anos. Ele até chorou quando viu, da janela da embaixada, o socialista Lagos desfilar em carro aberto diante de uma multidão estimada em cem mil pessoas, logo após a posse.

mockup