FHC aproveita reunião ministerial para retomar PPA
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 07 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso tenta amanhã (08), na quinta reunião ministerial de seu segundo mandato, recuperar o foco sobre o Plano Plurianual de Investimentos (PPA), rebatizado de Avança Brasil. O debate político sobre os projetos do governo para os próximos quatro anos, iniciado na semana passada, foi interrompido pelas declarações contundentes e a consequente demissão do ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho.
O presidente falará sobre o programa de desenvolvimento e ação do governo nos próximos anos e, na opinião do ministro-chefe da Secretaria-Geral, Aloysio Nunes Ferreira, não será preciso nem mesmo o "puxão de orelha" nos ministros para que se encerrem as brigas públicas. "Não tem nada de puxar orelha", afirmou o ministro. "Todo mundo já está com a orelha suficiente puxada pelos os fatos."
Além dos ministros, participam da reunião no Palácio do Planalto, a partir das 15h, os líderes do governo e dos partidos aliados no Congresso. O ministro do Planejamento, Martus Tavares
fará uma explicação mais detalhada do PPA para cada área. O presidente irá orientar a designação dos gerentes dos 365 programas do Avança Brasil.
O gerenciamento de programas é a base de execução do PPA e tem por objetivo tornar viável os projetos considerados prioritários para o crescimento econômico do País. Os ministros poderão tirar suas dúvidas, discutir como atuar na divulgação do plano e tratar dos programas de viagens aos Estados para o debate de programas setoriais.
O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) também acha que não há necessidade de "puxão de orelha" nos ministros e aliados. "O presidente já cobrou isso em outras ocasiões e agora agiu concretamente", ponderou. "Ele não precisa mais falar." Para Madeira, embora tenha sido convocada antes da demissão de Clóvis Carvalho, a reunião permitirá a retomada dos debates sobre os projetos. "É preciso agora seguir o programa que o governo apresentou à Nação e está em debate no Congresso", justificou.
Fernando Henrique presidirá a reunião de amanhã fortalecido pelo fato de tomar duas importante decisões, em menos de quatro dias: demitir Clóvis e nomear o executivo Alcides Tápias para seu lugar. "Ele tem agido assim ultimamente", lembrou Madeira, citando a rapidez de reação do presidente no caso dos ruralistas que pediam o perdão de parte das dívidas e a reação articulada do governo frente à Marcha dos 100 Mil feita pela oposição. "O governo está revelando um bom grau de articulação política."
Madeira é contra até mesmo a opinião defendida por aliados e ministros do governo de que o lançamento do PPA marcou o início do segundo mandato de Fernando Henrique. "Isso é bobagem, o governo começou em 1º de janeiro", disse, explicando: "Se o governo não tivesse adotado medidas duras no primeiro semestre, hoje estaríamos numa crise mais profunda, discutindo como sair dela."


