Brasília, 04 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje, em entrevista ao "Bom Dia Brasil", da Rede Globo
que considera "ótimo" o intervalo de R$ 1,75 e R$ 1,85 para o dólar no Brasil. É a primeira vez, desde a mudança no regime cambial no início do ano passado, que alguém do governo estipula um intervalo para as oscilações do dólar. "Se começar a flutuar muito é ruim, porque as expectativas não se organizam e logo vem os boateiros, o mundo moderno vive de boatos", disse Fernando Henrique.
O mercado de câmbio, que vinha registrando uma queda no valor de dólar e uma certa estabilidade, apresentou hoje variações. Perto das 17h, o dólar já estava sendo cotado a R$ 1 8590. Ontem (03), o dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 1 80 e fechou a R$ 1,8210. Acompanhando a tendência da bolsa de valores de Nova York - que está em queda desde ontem - as bolsas brasileiras mantiveram-se em queda durante todo o dia.
Na entrevista à Globo, Fernando Henrique afirmou não haver "razão nenhuma para imaginar que o dólar vá subir mais ou menos", sobretudo se houver saldo na balança comercial. "O importante é não haver muita flutuação: R$ 1,80, R$ 1,75, R$ 1 85 aí tudo bem". Ao comentar que o mundo de hoje vive de boatos
o presidente referiu-se ao fato de a bolsa de valores de Nova York ter despencado ontem (03) em razão de boatos.
"Achei extraordinário: a bolsa de Nova York despencou porque, como não houve o bug do milênio, aí então o FED ( Banco Central norte-americano) vai poder mexer nos juros e então despenca a bolsa", comentou o presidente. "Isso é um mundo muito instável, é assim mesmo, sem nenhuma base objetiva." Na entrevista ao programa Bom Dia Brasil, Fernando Henrique voltou a atacar os "pessimistas de sempre" que fizeram previsões catastróficas após a desvalorização do real em janeiro do ano passado e afirmou que as novas previsões estão "moderadamente otimistas" porque os analistas já erraram tanto que estão o medo de errar outra vez. "Eu acho que não se deve fazer hipótese nenhuma, tem de se trabalhar para mudar", disse.
CRESCIMENTO - O presidente disse não ter "bola de cristal em economia", mas que há boas perspectivas de crescimento da economia brasileira este ano. "Já estão aí os sinais: em dezembro nós tivemos saldo na balança comercial, já houve retomada na indústria, o começo da retomada, já subiu o nível de emprego", enumerou. "Nós temos de ter energia, confiança, e muito trabalho organizado. Eu tenho muita confiança que 2000 vai ser um bom ano."
Fernando Henrique disse querer a retomada do crescimento cobrada pelos empresários e aliados. "Isso não depende da vontade do presidente", disse. "Se dependesse de mim eu faria assim: 7%, 10%." O presidente comparou os dados de crescimento entre os anos de 1982 e 1992 e os de 1993 até agora. "De 82 a 92 houve uma paralisia grande, embora no Plano Cruzado tenha crescido também", disse. "De 93 em diante, salvo o ano passado
houve crescimento".
Ele alegou que não foi possível crescer em ritmo mais acelerado porque o Brasil não tinha recursos em moeda forte para fazer as importações. "Cada vez que você pisa no acelerador para crescer, precisa importar também, equipamentos, matéria-prima, etc", afirmou. Segundo o presidente, para o crescimento é necessário saldo positivo na balança comercial que "está sendo resolvido" e a queda das taxas de juros. "O taxa de juros caiu consideravelmente; os juros que o governo paga, que estiveram em 45% ao ano, estão em 19%."