Brasília, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso começa a anunciar amanhã (15) seu novo ministério, mas já definiu a substituição de pelo menos três ministros. Parlamentares e assessores diretos do presidente confirmaram hoje que deixarão o governo os ministros da Agricultura, Francisco Turra (PPB), e da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira (PSDB). O ministro do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio, Celso Lafer (PSDB), também deve deixar a equipe, mas não está descartada a hipótese de ser reaproveitado em outra função no governo.
A saída de Renan Calheiros do ministério da Justiça é provável, mas ainda não está acertada e passa pelo resultado de reunião do presidente com lideranças do PMDB, marcada para hoje à noite.
O porta-voz da presidência, ministro Georges Lamazire, informou que a reforma será divulgada "a partir de amanhã (15)", diretamente pelo presidente. Ele negou que o anúncio será feito em cadeia nacional de rádio e televisão.
O ministério da Ciência e Tecnologia deverá ser extinto e seus órgãos apêndices serão distribuídos entre os ministérios do Desenvolvimento e o da Educação. As secretarias de Comércio Exterior, Planejamento e Avaliação, Administração e Patrimônio, Políticas Regionais e Comunicação Social serão extintas, com as suas funções também transferidas para outros ministérios, menos de sete meses depois de terem sido criadas.
A secretaria de Relações Institucionais, ocupada hoje por Eduardo Graeff, poderá ser transformada em uma secretaria de Governo, com status de ministério, encarregada da coordenação política. Este é um dos principais embróglios na mão do presidente, que pretendia nomear para a função o presidente da Itaipu Binacional, o ex-deputado tucano Euclides Scalco, que não aceitou o convite. Outros nomes foram cogitados, mas Fernando Henrique ainda não decidiu.
Também poderá ser criado o ministério do Desenvolvimento Urbano, que englobaria a secretaria hoje ocupada pelo ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) e ex-ministro Sérgio Cutolo e também a secretaria de Políticas Regionais, conduzida por Ovídio de Angelis (PMDB), que deixará o governo. A criação desta nova pasta, contudo, ainda não está totalmente decidida, pois o presidente continua procurando nomes.
Hoje, uma inesperada audiência de Fernando Henrique ao senador Paulo Hartung (PSDB-ES), que foi diretor de uma área voltada para políticas sociais no BNDES e tem feito estudos sobre o desenvolvimento urbano, alimentou especulação de que ele pudesse ser um potencial candidato ao novo ministério ou ao lugar de Celso Lafer, mas assessores do presidente negam esta possibilidade. Hartung passou o dia em Brasília e voltou para Vitória no início da noite.
A falta de definição sobre quem serão os novos ministros e as informações não oficiais sobre quem sairá acirraram as tensões dentro da base aliada do governo e entre os próprios auxiliares do presidente. Com a sua saída dada como certa por pelo menos três interlocutores de Fernando Henrique, Bresser Pereira manifestava contrariedade. Ao contrário de vários colegas seus, ele não entregou a carta colocando o seu cargo a disposição.
Até o início da noite, o ministro tucano assegurava a seus assessores que sua saída não passava de boato, já que o presidente não mantivera contato com ele. Sua demissão foi decidida como ação simbólica, para mostrar que o presidente tiraria um naco de poder do seu próprio partido.
Embora auxiliares de Fernando Henrique afirmem que a demissão do pepebista Turra terá "custo político zero", já que a bancada parlamentar do partido é pequena e o PPB ainda tem o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, o partido procurava se articular para brecar o processo de saída. "O ministro está sendo muito defendido por pessoas da maior confiança do presidente", disse o vice-presidente do PPB, deputado Pedro Corrêa (PE), para quem "os órgãos de classe estão mobilizados neste sentido". Mas o presidente de honra do partido, o governador de Santa Catarina Esperidião Amin, preferiu não entrar nesta cruzada. "Eu não vou comentar uma decisão do presidente", disse. "Se tem tanta gente dizendo que ele vai sair, vamos esperar o Diário Oficial."
Com a sua saída defendida publicamente por dirigentes do PSDB e do PFL, o ministro da Justiça Renan Calheiros articula a sua permanência. "Ainda há uma chance de ele ficar", disse um peemedebista próximo a Fernando Henrique. A preocupação do PMDB com uma possível redução de seu espaço é grande. "Somos fortes e não vamos aceitar a diminuição da nossa parcela no poder", disse o senador Ney Suassuna (PB), que estará amanhã (15) com o presidente, acompanhando o governador da Paraíba José Maranhão, em uma audiência anteriormente marcada.
Segundo um interlocutor de Fernando Henrique, o presidente está dando preferência a nomes que não priorizem os partidos a que são filiados em detrimento da fidelidade ao governo, mas não pretende alterar o equilíbrio de forças entre seus aliados e as regiões do País, com exceção do PPB, que considera super representado. "Ele vai tomar o cuidado de montar uma equipe em que cada região do País se sinta representada e que, dentro das cotas partidárias, se respeite a correlação de forças existente em cada legenda."

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