Brasília, 16 (AE) - Após três dias de intensas negociações, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou hoje a reforma ministerial, seis meses após assumir o segundo mandato. A mudança incluiu a criação do Ministério da Integração Nacional e da Secretaria de Políticas Urbanas, a recriação da secretaria-geral da Presidência da República, a ser ocupada por um político, a extinção do Ministério Extraordinário de Projetos Especiais e das Secretarias de Relações Institucionais, de Administração e Patrimônio, de Planejamento e Avaliação e de Políticas Regionais.
O número de ministérios continua o mesmo, 20, mas o de secretarias diminuiu: eram 7 em janeiro, agora são 5. A nova equipe assume ao meio-dia de segunda-feira, em posse coletiva no Palácio do Planalto: Pedro Parente, na Casa Civil; Pratini de Moraes, na Agricultura; Clóvis Carvalho, no Desenvolvimento, Indústria e Comércio; José Carlos Dias, na Justiça; Ronaldo Sardemberg, na Ciência e Tecnologia; Fernando Bezerra, na Integração Nacional; Aloysio Nunes Ferreira, na Secretaria-Geral da Presidência.
Falando de forma pausada, Fernando Henrique mandou diferentes recados aos aliados. Um deles, ao presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), que eximiu o partido da responsabilidade pelas escolhas feitas para o Ministério.
"Os que ficam e os que entram são ministros escolhidos por mim: sou por eles responsável e eles devem lealdade única e exclusivamente ao País e a mim", disse o presidente, explicando que sua "preocupação" com a mudança foi "aprimorar" o Ministério. "Os que me conhecem sabem que eu ouço com atenção, e o quanto possível, o clamor das ruas, mas tomo as decisões e assumo as responsabilidades." Ele também pediu o fim das intrigas entre os aliados e cobrou fidelidade ao governo.
"Os incomodados podem sempre se retirar", anunciou. Para o presidente, a nova etapa desse segundo mandato requer "um governo unido e coeso, apoiado incondicionalmente pelos partidos que compõem a base do governo e não um governo partido em facções."
Durante 25 minutos, Fernando Henrique não agradeceu nem citou nominalmente nenhum ex-ministro, limitando-se a explicar que as mudanças foram feitas em razão de adaptações à nova ordem econômica, gerencial e política para aumentar a capacidade efetiva e dar maior "velocidade" ao governo. O presidente justificou que nenhuma consideração pessoal, de amizade ou partidária "travou" suas escolhas e classificou os ex-assessores como "leais servidores do Brasil".
Fernando Henrique elogiou a coesão e unidade da equipe econômica. Disse também que a transferência de Clóvis Carvalho para o Desenvolvimento permitirá a reestruturação produtiva do País. "Que tem de andar mais depressa", cobrou. O presidente disse ainda que a idéia de criação do Ministério da Integração Nacional era antiga e negou que tenha sido feita "para acomodar interesses políticos". E anunciou o enxugamento da máquina federal, com o corte de pelo menos 10% das funções gratificadas em relação a 1998.
Fernando Henrique afirmou que o Plano Plurianual é o projeto nacional de seu governo e repetiu que precisa do Congresso para a "retomada do desenvolvimento com estabilidade e responsabilidade fiscal". O presidente listou as prioridades desse novo corpo ministerial, na articulação para as votações das reformas no Congresso. "O governo vai se empenhar a fundo na aprovação das reformas", afirmou. "Um governo que saiu dessas turbulências recentes não tem desculpa para ser capaz, ele próprio, de reorganizar e acelerar as reformas", afirmou. "O povo, não apenas o presidente, está impaciente."

mockup