Brasília, 23 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá anunciar na sexta-feira que o setor rural terá cerca de R$ 13 bilhões para o financiamento da safra de grãos 1999/2000, dos quais R$ 11,5 bilhões para custeio e R$ 1,5 bilhão para investimentos. Apesar de representar um acréscimo de quase 20% em relação aos recursos do crédito rural anunciados na safra passada, apenas uma parcela deste volume, inferior a R$ 9 bilhões no total, terá juros subsidiados pelo governo, atualmente fixados em 8,75% ao ano.
Na sexta-feira à noite, o ministro Francisco Turra fará um pronunciamento à Nação em cadeia de rádio e TV para explicar as medidas do plano agrícola 1999/2000. As principais propostas foram discutidas em almoço ontem no Ministério da Agricultura, do qual participaram os ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Orçamento e Gestão, Pedro Parente, das Comunicações, Pimenta da Veiga e o presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabi.
Na reunião técnica do grupo de coordenação de Política Agrícola do governo, ocorrida na manhã de ontem, não houve consenso sobre algumas medidas do plano. Representantes do Ministério da Fazenda questionaram a oportunidade de ampliação dos limites de financiamento para o plantio de milho, de R$ 150 mil para R$ 200 mil, e de soja, de R$ 40 mil para R$ 60 mil, e, no caso do sul do Maranhão, Piauí e Barreiras, na Bahia, de R$ 40 mil para R$ 100 mil. "O Ministério da Fazenda avalia que o aumento poderia levar a uma concentração de crédito nestes produtos e provocar a falta de recursos para os outros", disse uma fonte do governo.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá aprovar no dia 30 as medidas do plano de safra e o único voto que teve consenso na reunião do grupo de coordenação de política agrícola foi a criação do PROLEITE, uma linha de crédito para a modernização da pecuária leiteira, de R$ 200 milhões, com juros de 8,75% ao ano. O plano deverá conter ainda aumentos dos preços mínimos de mandioca, milho e feijão e outras medidas como a prorrogação da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para máquinas e equipamentos agrícolas até junho de 2.000.

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